sábado, 19 de maio de 2018

Xadrez Por Jorge Luís Borges [1]

*
I.
No seu recanto grave, os jogadores
dirigem as lentas peças. O tabuleiro
os demora até a aurora. No seu severo
âmbito, em que se odeiam duas cores.

Dentro irradiam mágicos rigores
as formas: torre homérica, ligeiro
cavalo, armada rainha, rei postreiro,
oblíquo bispo e peões agressores.

Quando os jogadores se tiverem ido,
quando o tempo os tiver consumido,
certamente não terá cessado o rito.

No Oriente se acendeu esta guerra,
cujo anfiteatro é hoje toda a terra.
Como o outro, este jogo é infinito.

II.
Tênue rei, oblíquo bispo, encarniçada
rainha, torre direta e peão ladino
sobre o negro e branco do caminho
buscam e livram sua batalha armada.

Não sabem que a mão assinalada
do jogador governa seu destino,
não sabem que um rigor adamantino
sujeita seu alvédrio e sua jornada.

Também o jogador é prisioneiro
(a sentença é de Omar) de outro tabuleiro
de negras noites e de brancos dias.

Deus move o jogador, e este, a peça.
Que Deus atrás de Deus começa a trama
de pó e tempo e sonho e agonias?

sexta-feira, 18 de maio de 2018

As ruas olhavam-no com desconfiança; BH, 0180502018.

As ruas olhavam-no com desconfiança
Era surdo à voz das coisas era cego à 
Luz do sol e desprezava o azul do firmamento
Ninguém o aguentava mais
Era um tormento atrás do outro
Piores do que as lamentações 
De jeremias amava israel a 
Despedaçar os palestinos tecia 
Loas aos bélicos norte-americanos
Chamava trump de meu guru
Dizia-se evangélico crente
Que só ouvia e lia gospel
Que só andava com salvos
Matava cachorros e gatos e
Outras famílias de gambás e 
Marsupiais abria a porta para
Pôr para fora os que estavam
Dentro da sua morada e só acolhia 
Com interesses votava com os 
Fascistas chamava mtst mst 
De vagabundos justificava as 
Extravagâncias dos judiciários
Perseguia quilombolas e índios
Chutava mendigos às escondidas
Nas sombras era racista enrustido
Jurava amor às forças armadas
Que a tortura era um meio
Legítimo de confissões e que os 
Direitos humanos só protegiam bandidos
As ruas olhavam-no com admirações
Era membro da sociedade ideal
Sem assombro perto das assombrações do 
Estado de exceção que chamava democracia.

A cabeça cheia da ana c; BH, 0180502018.

A cabeça cheia de ana c
Cortou os pulsos com a lente de contato
Num suicídio de haraquiri imediato
As tripas esvaíram do sangue malfadado
Vendeu a biblioteca para beber
Bebia todas não tinha como pagar
Levava os livros ao dono do bar
Que os recebia com sorrisos no olhar 
E enchia os copos com ambição
A cada dose um volume
A cada volume uma dose dupla
 Descobriu que sábio era o dono do bar
E não tinha como refazer a biblioteca
A casa ficou morta sem livros na parede
A estante resistiu até pulverizar-se
E foi colocada em partes ao meio-fio
A rua vazia ficou feia sem poesia
O defunto da estante não foi velado
No velório a chuva molhou a madeira
Envelhecida o sol secou o vento levou os 
Resíduos para longe do infinito
O suicida com a cabeça cheia 
De ana c não tinha mais o que 
Beber a sede não parava de 
Querer os livros não existem 
Mais para trocar por bebidas
Sem livros o dono do bar com sorrisos
No olhar não olhava mais com 
Sorrisos no olhar mesmo
Ao mostrar as cicatrizes nos pulsos e 
Os vestígios de sangue nas tatuagens.

Chamavam-no de louco; BH. 0180502018.

Chamavam-no de louco
Que a mulher que estava com 
Ele era sempre louca que 
Bebia que fumava que cheirava
Que era chegado a livros óperas
Músicas clássicas jazz blues
Detestava televisão best-sellers
Campeões de bilheterias 
Chamavam-no de louco que 
Assitia filmes antigos e jogos 
De futebol sem som sem 
Locutores sem comentaristas
Odiava cantores midiáticos
Gentes famosas artistas de 
Novelas diziam que eram 
Despeitos invejas orgulhos
Tinha engulhos por tudo
Amava as putas as travestis
Pederastas andava com 
Prostitutas meretrizes dizia 
Ser mulheres de verdade
Expulsava testemunhas de jeová
Batia a porta na cara dos mórmons
Bebia até vomitar jurava 
Parar de beber e enchia a cara de novo
Entupia-se de comprimido tarjados
Era visto com maus elementos
E maus alimentados mendigos
Não passava boas impressões
Sempre de maus comportamentos
Escrevia poemas rasgava escrevia 
Poemas jogava aos ventos que 
Faziam boas utilidades tirado 
A walt whitman charles bukowski
Coisas de estranhos extravagantes
De entranhas engendradas
Registrava reminiscências à toa à toa.

Jair Messias Bolsonaro; BH, 0170502018.

Jair Messias Bolsonaro
E disse-se evangélico, de família, de bem, de
Moral e dos bons costumes e quer ser o 
Presidente da minha República federativa do 
Brasil, que encontra-se, agora, sob domínio
De um golpe, desferido por uma quadrilha 
De golpistas escrotos, do qual o Jair Messias
Faz parte; e apesar de saber que, de nada 
Valerá a pena escrever, a sociedade nacional, 
Encontra-se em adiantado estado terminal e 
De putrefação; o país está sem referências 
Éticas e o nocivo judiciário nefasto, só nos 
Passa a ideia de que, o crime compensa no 
Brasil; ao proteger os emedebistas, ao 
Deixar soltos os peessedebistas e ao não 
Combater os amantes da ditadura, da 
Tortura, da perseguição às minorias, só 
Chegamos à conclusão que, o crime 
Compensa e que, qualquer apologia ao 
Fascismo, ao nazismo, ao racismo, à 
Misoginia e outras desgraças, é mais do 
Que normal; não conseguiremos mais nos 
Indignar, não conseguiremos mais exercer
A nossa rebeldia, cidadania, soberania, 
Não lutamos mais por nossa liberdade e 
Direitos e cegamente seguimos os passos 
Do PIG, Partido da Imprensa Golpista, da 
Rede Globo e o restante do conjunto 
Dominador que, faz com que, Romário,
Dória, Anastazia, Aécio, Temer, Serra,
Alckmin não sejam sequer incomodados, ao 
Exporem as impunidades publicamente e 
Sem demonstrar um pingo de vergonha,
Graças à nossa letargia comatosa.    

Que falta de consideração é a falta de consideração; BH, 0180502018.

Que falta de consideração é a falta de consideração
E pode nem perceber que a falta de consideração é 
Falta quem faz a falta de consideração e pensa que 
Nem é falta a falta de consideração a misturar com 
A ingratidão quem não sente é por que não sente e 
Não faz sentido sentir o que os outros sentem se 
Não são os outros os que sentem fome que sentem
Frio dor e o medo junto a covardia na sombra da 
Penumbra o pé descalço o corpo nu sem camisa 
Sem calças a face sem rosto e queria ser todos os 
Rostos dos ladrilhos dos pisos queria fazer parte 
Da pinacoteca ser uma obra-prima ser uma obra 
De arte uma arte plástica e coloca o semblante no
Meio de milhões de semblantes e não é michelangelo
Ou auguste rodin quer o perfil nas paredes 
Predarias pedreiras grita nas falésias uma necessidade
De perpetuar uma necessidade por alguma ambição
Desconhecida por alguma soberba alienígena um 
Orgulho extraterrestre uma bobagem que justifique
As bobagens da vida com a morte a costear o 
Alambrado com o bafio da danada a arfar afã a 
Pular igual gata no cio em cima do muro o gato a 
Querer só olhar a lua que não o vê com seu monóculo
Milenar de deserto sem voz sem clamar no deserto
Pela falta de consideração e quem clama clama aos surdos
E foi respondido pelos mudos que não usam a telepatia.  

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Luiz Inácio Lula da Siva; BH, 0170502018.

Luiz Inácio Lula da Silva
Está e continuará preso político; 
Os objetivos do judiciário golpista
Foram conseguidos, afastar Lula 
Das eleições; muitos ingênuos 
Como eu, têm a esperança de 
#LulaLivre e de que, o 
Soltarão para que possa concorrer;
Os golpistas escrotos não deram 
Um golpe para nos alijar do poder
E depois nos entregar pacificamente,
Pelo voto direto, livre e universal;
Farão de tudo para perpetuarem-se
E protegerem-se mutuamente, com
A conivência das instituições, com o
Tal do STF, Supremo Tucanato Federal, 
Com tudo, como disse nessa suruba 
Geral, o senador, acreditem, senador, 
Romero Essa Porra Jucá, o Caju da 
Lista da empreiteira, é esse o nome 
Do canalha, que alguns canalhas 
Comprados, tiveram a filhadaputisse de 
Votar, tais quais os que falam que votarão 
No Jair Messias Bolsonaro; fomos 
Vencidos pela globalização, pelos
Rentistas, pelo capitalismo predatório 
E nocivo e pelo neoliberalismo agressivo
E mais uma vez o trabalhismo, os 
Trabalhistas e os trabalhadores foram 
Derrotados; e nem nos assustamos 
Mais, ao depararmos com indivíduos
De bíblias nas mãos e a declararem 
Votos em bolsonaros, jogadores de 
Futebol, prefakes tais as dorianas,
Todos de costas para o país, a nação
E o povo trabalhador brasileiro: tanto
Os candidatos, quanto os seus eleitores; 
Luiz Inácio Lula da Silva está e continuará
Preso político e o comando do país entregue
Às pragas, baratas, aos ratos, às serpentes
E às aves de rapina e maus agouros que
São as causas de nossos tantos engulhos.