segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Que dura dois anos e que se dá de dois em dois anos; BH, 0120902000; Publicado: BH, 070902013.

Que dura dois anos e que se dá de dois em dois anos, 
Bisanual, já que não sabia, que a dobradiça de porta,
Ou de janela, se chamava bisagra; e a cobra da
Família dos Colubrídeos, se chamava bisu e o que tem
Dois esporões, ou bicos birrostrados; e que o nome
Comum à duas aves, uma da família dos Picídeos e
Outra da dos Tiranídeos, é birro e que a galera com
Duas ordens de remo é birreme; assim como o que
Possui a birrefração, o birrefringente, da birrefringência,
Propriedade de certas substâncias de desdobrarem um
Raio luminoso incidente em dois, como se dá com a calcita
Ou espato-de-islândia, a birrefração ou birrefracção, tanto
Faz, não se pode é birrar com as coisas, ter birras com a
Natureza, teimar com a insistência do mar e mais usado
Que o verbo embirrar com o birote, o cabelo enrodilhado
No alto da cabeça; envolta na birola, o pano de algodão
Fabricado na Inglaterra e da Birmânia, de onde vem o
Birmã, ou birmane; e a árvore das Amonáceas,  o
Biribazeiro dá biribá, de planta que produz flores vermelhas
De belo efeito ornamental é biri, que não impede que o
Patife seja reconhecido, o tratante seja destratado, o biltre
Punido e o birbante apanhado no buraco que os meninos,
É feito para o jogo do pião; bira das equações e dos
Trinômios de quarto grau, que pela minha falta de cara-de-pau;
Mostre-me totalmente biquadrado, duas vezes mais quadrado
Que eu normalmente já sou, pois não apresento bipolaridade,
A existência de dois pólos contrários num corpo; o bipolar que
Tem dois pólos, igual ao planeta que tem o Norte e o Sul e o
Biplume que tem duas asas como o bipene; a machadinha com
Dois gumes e o bipedal dos bípedes, aberto para os dois lados,
Bipatente bipartido e dividido em duas partes dividias ao meio
Na bipartição do coração que pode ser dividido por quatro na
Divisão dos amores das mulheres, que nem com dinheiro e viagra
Já não me querem mais; e oxalá o bioxalato, oxalato ácido da
Biotita, mineral monoclínico do grupo das micas, silicato de ferro,
Magnésio, alumínio e potássio, de cor escura; e no dia em que
Decifrar o meu biótipo, conjunto de características fundamentais
Comuns ou semelhantes de uma série de um indivíduo e é o que
Quero conhecer através da biotipologia, a ciência das constituições,
Temperamentos e caracteres também chamada tipologia e biologia
Diferencial do ponto de vista da biótica, conhecimentos das funções
E manifestações vitais, pois para descobrir a causa do meu medo e 
Da minha covardia, passo até por cobaia de biotério, lugar onde se
Conservam animais vivos para experiência de laboratório; pois a
Falta do fator biotáxico, me deixa fora da biotaxia, do tratado de
Classificação de seres organizados e da biota, vida animal e vegetal
De uma determinada região, biosfera, camada ideal ao redor da
Superfície terrestre que contém o conjunto dos seres vivos; só que
Pareço que não vivo, não tenho biogênese, nem hipótese ou teoria
Sobre a origem da minha vida, sou um biófobo, tenho medo da vida
E tenho horror ao viver, amo a morte. 

Sinto-me na necessidade de escrever algo na despedida de 1999; BH, 03101201999; Publicado: BH, 050902013.

Sinto-me na necessidade de escrever algo na despedida de 1999,
Já que o ano 2000 vem por chegar e estou a arrepiar-me e com
Vontade de chorar; não sei que marca deixarei no ano quase  
Findo e nem sei que marca terei no ano vindouro; tentei como só 
Eu sei, superar minha mediocridade, fiz da cultura minha realidade
E busquei a felicidade onde a pude achar; sei que encontrei
Tristezas e violências, injustiças e desumanidades e mentiras; não
Andei na verdade e na coragem, sofri com a covardia e o medo,
Não me emancipei e nem venci a força bruta da gravidade, que 
Prende-me aqui; não gozei o orgasmo da liberdade, o ritmo da 
Modernidade e da mídia, a progressão da capacidade, da sabedoria
E da inteligência; e tudo que tentei fazer, não teve evidência e  
Acabei-me na decadência, a escarrar pedaços de minha alma nas 
Calçadas das sarjetas; engoli os sapos do neoliberalismo, respirei o 
Mesmo ar dos políticos hipócritas, aplaudi a burguesia e a elite e 
Sobrevivi das migalhas e dos restos que eram-me atirados das mesas
Nos fins dos banquetes macabros, com orgias e muitas festas; muita
Carne e muita droga, cocaína e maconha e energéticos e tudo mais
Que a sociedade usa na saciedade dos seus costumes; ai de ti mundo
Insensato, que não ouve a voz sensata, o conselho que resguarde a 
Vida, que assegure a felicidade, produz a tranquilidade, e traz a 
Serenidade que o espírito procura desde séculos anteriores; bem-vindo,
Então, ano 2000, ao ano 2000 que chega agora de entrada a trazer os
Segredos e esperanças, a banir tragédias e desgraças, a expulsar 
Guerras e bombardeios. fomes e misérias e dores; fim de temores, 
Fim de terrores, fim de horrores, começo de amores, da era, do tempo
Da paz, começo do fim da mediocridade; começo do tempo do amor, da
Volta do homem à humanidade, da volta do ser ao humano, ao seu 
Interior; da volta da Terra ao redor do Sol, da volta da Lua à pureza
Habitual; salvemos a criança do mal, livremos o pequenino do grande,
Abençoemos o filho no útero, que ele encontre o caminho, que não 
Seja o dos mutilados, das vítimas das minas terrestres, das vítimas
Dos governantes cruéis; que não seja dos flagelados refugiados nos
Campos, sem pátria e paz e paixão, perdidos nos olhares vagos, 
Sofridos nos vazios das mãos; mãos decepadas por facões, nas 
Étnicas africanas, onde meninos inda crianças, já são heróis de 
Guerra, a matar a própria semelhança, com ira e ódio e vingança,
Sem a calma do jardim de infância; boas vindas ano 2000, deixes
Lá bem atrás e longe, a dor e o sofrimento e a lágrima, o choro
E o pranto incontidos, a infelicidade extrema e a força do consumismo
Neurótico; a fúria do ter psicopata, o poder deprimente de possuir,
Para existir sem ser, sem se preocupar em existir, sem precisar ter um
Bem da moda, da mídia e da propaganda; propaganda enganosa e
Falsa, de efeito ilusório e estética pueril e a mente fica esquecida, a 
Alma fica no esquecimento, a memória completamente vazia, o espírito
Fora do contexto da razão; coração de iceberg e sem solução e a 
Racionalidade radical é de sem sentimento, de sem teor sentimental e
De sem emoção; sei muito bem aqui comigo, que se por ventura um 
Alguém qualquer, tomar de mão do interesse e ler estas linhas 
Indefinidas, certamente não encontrará o que gostaria de ler, o que 
Gostaria de pensar; porém, o impulso é maior, a emoção é muito grande
E choro à toa igual criança, pois não sei usar a não ser o coração, não sei
Usar o raciocínio, não sei pensar antes, dói o pensamento, não sei escrever
Tecnicamente, igual um tecnocrata sabe o que fazer nas teorias e teses,
Nas horas de aflição,  turbulência; e entrego-me logo e tremo todo, o 
Outro é frio e calculista, o outro controla a mente e o espírito, controla o
Sentimento e o coração, as pernas não tremem e nem bambeiam; as
Mãos ficam firmes e mortas, rijas iguais cadáveres à espera do
Sepultamento no velório; com ternos de grifes, bem cortados, gravatas
Hermes e camisas de seda, de cambraia e linho inglês, um cadáver
Bonito e elegante, prontinho para sujar com a podridão o âmago da
Terra mãe, da terra não merecedora de tanta poluição; sujeira e
Excrementos expelidos lançados no meio ambiente, de onde se
Transformam em ar, voltam aos nossos pulmões; acabamos, então, por
Respirar coliformes fecais dos tecnocratas e de nós mesmos coliformes
Fecais, sem estrutura e sem perspectiva de melhora de morte e de
Vida; se saber morrer também pode ser uma sabedoria, já que viver é
Impossível, viver é uma eternidade de amargura, angústia e depressão
E mágoa; viver é um infinito de penhasco de onde lançamos nossas
Lágrimas, em queda livre, uma por uma, até formarem os rios em nossas
Faces sulcadas pelo tempo e espaço, verdadeiros terrenos arenosos e
Ásperos que só mesmo a beleza do choro, a suavidade da lágrima, o
Aspecto do pranto são capazes de transformar em algo definido rosto
Desfigurado e carcomido, envelhecido e tristonho, bisonho e medonho
Que mete medo às criancinhas tristes, às baratas tontas e aos
Passarinhos que voam assustados e para longe fora do alcance do
Choque que o simples aparecimento desta máscara mortuária causa a
Qualquer ser presente; até mesmo a morte se assusta ao ver esta
Assombração a se deslocar feito tênue névoa nas trevas da imensidão;
Ao não querer gastar as pestanas, queimar o fosfato na busca do
Colorir a massa cinzenta da mais bela coloração; tipo quadro de Dali,
Cubismo de Picasso, ou a luz com o amarelo de ouro descoberto por
Van Gogh; quero chegar ao fim deste débil e frágil resumo que tento
Fazer na despedida de 1999; não sei como parar, não sei onde vou
Parar, estou com febre e calafrio a tossir e a sentir que talvez já
Esteja a chegar o meu fim; e só quero me preocupar em deixar um
Registro assim,  pode não ter valor para mim, pode não servir de
Interesse a quem quer que seja, mas aqui ficou registrada a dor,
Minha angústia extrema por tentar usar a inteligência para viver e
Aprender a esperar a morte e o sofrer; aqui ficam registrados os
Fatos, os boatos e os fins e os idos e as voltas e as entradas e as
Saídas e os fundos, buracos e precipícios e abismos; o pum do bug
Do milênio na flatulência da passagem do ano; para o outro onde
Continuaremos na tolerância da intolerância, ou viraremos a mesa
Da ceia de perna para o ar a botar os discípulos da burguesia para
Correrem juntamente com o judas da elite; e a ouvir agora na
Rádio Guarani Elton John a cantar Skyline Pigeon me voltou a
Vontade de chorar; meu corpo se arrepiou e por pouco não cai aos
Prantos aqui nesta banca de jornal de onde escrevo esta despedida
Na Avenida Augusto de Lima em frente ao Departamento de
Identificação da Polícia Civil; e agora emociono-me de novo, tem uma
Mulher a cantar uma canção de Renato Russo e ela fala que é preciso
Amar as pessoas como se não houvesse amanhã: lindo demais, é duro
Aguentar sem chorar; nestas ocasiões e épocas assim fico muito frágil e
Debilitado, qualquer coisinha mexe comigo, qualquer palavra de conforto
Desestabiliza-me e trai-me a deixar-me à mostra e a revelar a todos os
Segredos da minha fraqueza interior; minha falta de acesso à internet,
Falta de firmeza e estrutura, capacidade de articulação e bem estar
Pessoal, é então deixar em 1999 tudo como se deixa os dejetos num
Vaso, ou num penico; vou deixar em 1999 todas as lembranças de FHC e
ACM como deixo vômito esquecido ao pé dum posta qualquer;  vou deixar
Em 1999 todos os espíritos aflitos que perturbaram-me e perseguiram e
Entrar em 2000 eu todo, entrar em 2000 eu em tudo, entrar em 2000 com
Tudo e não desejar que esta seja a última volta do planeta, não desejar
Que o planeta saia da própria órbita e colida com os outros; vou entrar em
2000 preparado e novo de vez a começar a viver humanamente, a começar
A entender, compreender e e aprender que mais do que preciso é necessário
Amar para viver, é necessário amar para continuar; perdoeis todos que
Abandonei, não dei ouvidos nem escutei, perdoeis todos que desrespeitei,
Agredi e humilhei, perdoeis todos que por acaso sentireis ofendidos comigo,
Por minha falta de educação, minha estupidez e ignorância; peroeis todos os
Injustiçados, presos e oprimidos e abandonados, perdoeis-me por minha
Burrice, minha falta de inteligência, minha preguiça e desânimo e meus sete
Pecados capitais, surdez e cegueira e mudez; perdoeis-me todos por tudo é a
Única e última coisa que posso desejar agora que enfim chego ao fim desta 
Despedida; sei que faltou muita coisa incompleta e inacabada igual ao próprio
Que agora espera que 2000 traga a todos um trago de felicidade de presença
E de existência de raízes e troncos e folhas e flores de árvores e jardins e
Natureza; espero que 2000 nos espere de braços abertos num abraço à paz;
Com o fim dos detidos de guerra, fim dos alvos infantis; que 2000 seja um 
Sonho que não se torne pesadelo e que consigamos acordar na realidade.

Já que estou a perder tempo e não tenho nada mais inteligente para fazer; BH, 080302000; Publicado, BH, 040902013.

Já que estou a perder tempo e não tenho nada mais inteligente para fazer, 
Do que perder tempo, vou perder tempo, a escrever algo nos fragmentos 
Deste pergaminho, nas sobras e nas sombras deste papiro; algo que,
Mesmo a não ser o princípio da sabedoria, mesmo a não ser o primórdio 
Da genialidade, pode ser de alguma utilidade, para acabar com o tédio 
Extremo, que assola o meu ser, desde o mais recôndito e íntimo
Espaço nebuloso que sufoca e reprime todos os meus meios 
De libertação, de evolução e de satisfação próprias;
Sei não saber encontrar as regras respeitadas da escrita,
Os segredos milagrosos da gramática e os mistérios das
Sagas, das prosas, das histórias, novelas e demais composições,
Que elevam à condição de espirituoso e iluminado,
Todo aquele que aprende a manipular as letras, as palavras;
E as frases ao tirá-las do tosco, do grosseiro do ignorante
E lançá-las no clássico, na obra-prima, na obra de arte,
Nos aforismos, mesmo ao não usar a linguagem consagrada,
Mesmo ao não usar as mais complexas, difíceis e valiosas
Expressões idiomáticas, que tanta vida e sabor dão
A um texto bem explanado e bem estruturado, mesmo 
Num fragmento de pergaminho, mesmo num resto de papiro;
Das coisas que peço a Deus, além da minha salvação terreal,
É a minha saída da mediocridade, minha fuga da ignorância
E que aprenda um dia a escrever igual a gente grande, sem
Ficar a dever nada a ninguém, a nenhum dos escritores que
Já existiram desde a formação cultural da humanidade; às
Vezes fico a pensar em quantas mulheres já deram à luz na
História do mundo; e quantas pessoas já nasceram no 
Mundo desde que o mundo é mundo e penso que cada uma
Dessas pessoas, era um mundo totalmente diferente, diverso
E preocupado com a sobrevivência, a felicidade e a vida;
A não ser alguns que apareceram para tentar por um fim no
Sonho da humanidade, tipo as bestas geradas também por
Mães, que foram crianças e sem explicações se transformam-se
Em canibais: Himmler, Eichmann, Hitler, Pot Pol e muitos
Outros que se alimentaram de vidas, de sangue fresco, de
Peles, de ossos, de células e de tudo que pode compor um ser
Humano normal; e mesmo que o mundo acabe duzentas
Vezes, não nos veremos livres das lembranças desses
Carrascos, verdugos, assassinos e demais bestas
Apocalípticas, que só querem e só sabem causar a 
Ruína e a destruição do ser humano; amanhã poderemos
Pensar que estamos livre de tais ameaças e teremos 
Surpresas, pois de cada presidente que é eleito nos USA,
É uma ameaça que o mundo sofre, com intervenções, 
Guerras e todo tipo de falcatruas que beneficiem os USA 
E o seu bélico povo; e hoje, minha gente, por mais que eu
Tente ocupar bem o meu tempo, sinto que não vou conseguir,
Pois algo está preso dentro de mim e continuo com as mesmas
Ideias, os mesmos estilos, o mesmo ideal: não evolui um
Milímetro e sinto que nada mudou e nem vai mudar e a
Ansiedade que sinto é a mesma que não consegui transpor, o
Mesmo medo, a mesma covardia, a mesma falta de coragem e a
Mesma timidez que me encobre ao me deixar invisível, sem ser
Percebido por outrem, apesar de tentar, ou de pelo menos fingir
Tentar sair do casulo, sair do buraco, sair da cova e ressuscitar,
Igual Lázaro e romper as cadeias, romper os elos e as amarras
Antes que seja tarde demais e que a morte me abrace com seus
Longos braços sombrios, gélidos e infinitos; nem me importaria 
Em morrer, se soubesse o que é que acontece comigo e se 
Entendesse e de uma vez compreendesse a teia de aranha, todo
O labirinto, todo o teorema, que carrego, sem encontrar, como 
Todos já sabemos a solução, a fé, a paixão, a luz, que de uma vez
Por todas iluminará as minhas trevas frias eternas; mas já perdi a 
Esperança, já perdi a confiança de vencer e de ser um vencedor, 
Ser um vitorioso cheio de magnetismo, imantado, cheio de verdade
E sem mentiras; cheio de realidade e sem falsidade e apto a viver
Na inteligência vinte e quatro horas por dia, durante os trezentos e 
Sessenta e cindo dias contados no ano, todos os anos de vida que 
Ainda me resta para viver, se é que ainda tenho alguns anos de sobra
Para aproveitar para viver; aproveito e deixo aqui estas deixas, estas
Queixas, todas já conhecidas, repetidas, inaproveitadas, todas já  
Fúteis, inúteis, supérfluas, vazias e inacabadas, porém, cheias de fé, de 
Concani, Concão da Índia, do concanim da Índia Inglesa e a língua 
Vulgar no território de Goa; concameração e parte arqueada de edifício,
De abóbada e de arcada na depressão do terreno, pedra, ou tijolo para
O jogo da malha; a concha da orelha, a conca  que não segura o segredo
Do conatural, conforme a natureza, apropriado ao homem congênito da 
Humanidade; tentativa de levar à salvação, esforço pela justiça, impulso
Pela virtude, ligado desde a origem concrescente, o ânimo inato, a força
Do conato, "adrem" à coisa precisamente, e em oposição a "ad hominem", 
Que tem as características da conação, ou que a envolve; pertencente à 
Força de vontade, ao instinto conativo, do processo de ação internacional
E a consciência desse processo em quem realiza a ação comunial e todo
Relativo ao bem da comunhão, da mera eucarística, o lugar onde se toma o 
Comungatório o pecador comungado, que recebeu e aderiu às ideias de 
Outrem, no comum-de-dois, que indica os gêneros com uma forma única e 
O normalista e a pianista; o diplomata e a estudante, o verde e o cônjuge
E não o confundir com os epicenos, esses só se aplicam aos animais, cujos
Nomes servem para dois gêneros com acrescentamento de macho, fêmea
Jacaré com cabra. Concluído em BH, 0240102000.

Vejais bem e o bissexual que reúne dos dois sexos; BH, 0110902000; Publicado: BH, 060902013.

Vejais bem e o bissexual que reúne os dois sexos, 
O hermafrodita, que tal a planta que tem estames e que 
Tem capelos na mesma flor; e a planta é aceita na 
Natureza, por que a pessoa adepta do bissexo, do hermafroditismo,
Não pode levar a mesma vida natural? e não pode 
Assumir, tem que se esconder, como se fosse algo
Vergonhoso e não aceito pela humanidade? não posso
Admitir certo tipo de perseguição, de discriminação
E não pode acontecer nem de vez em quando, como
Em ano bissextil, tem que parar de vez com as violências e
A injustiça, contra essas minorias; e até mesmo
Na Geometria, encontramos o plano que passa pela
Interação de outros dois, a formar, com esses, ângulos
Diedros iguais, melhor ser igual ao bissetor, do que
Ser um perseguidor, o órgão que se publica, ou realiza
Duas vezes por semana, numa reunião bissemanal, ptara
Traçar metas de acabar com esses grupos; é a bisseção da
Sociedade, a divisão em duas  partes iguais, a que apoia e
Respeita e a que persegue; é a bissecção do
Movimento, daqueles que têm as ideias dentro
De um bispote, um urinol esquecido debaixo da
Cama; o bispal, que não aceita a união homossexual,
No bispado, território de jurisdição espiritual, diocese,
Que expulsa e excomunga, com ato de bisonharia,
Com ação de bisonhice, o acanhamento do beato,
A inexperiência da paróquia que não conhece
Os direitos humanos, onde o padre é um homem
Finório, um bisnau que só gosta de grana, um
Astucioso velhaco, que vende a salvação, de
Forma a bisnagar, a molhar com o líquido que
Contido em bisnaga, é o borrifar de água chamada
De benta e que de benta não tem nada, só de venda; a
Bismutita, com variedade amorfa de carbonato de 
Bismuto, faz mais milagre do que ela; a bismutina,
Também, com o sulfureto que se extrai industrialmente,
Também tem mais efeito milagroso; e o conjunto fonético,
Em que o acento tônico recai na pré-antepenúltima
Sílaba é o mesmo que sobresdrúxulo bisesdrúxulo a 
Mesma coisa em si o sobredáctilo; já o bisseque, o
Utensílio com que os sapateiros brunem os saltos
E rebordos da sola do calçado do biscateiro, o 
Fabricante e o vendedor de biscoitos quadrados,
Na biscoiteira, o recipiente de quem quer abiscoitar,
Ou biscoitar para conseguir alguma coisa facilmente, já,
Que hoje o desempregado não consegue nem o biscato,
Quanto mais o biscate salvador; e fazer pequenos
Serviços, pequenos negócios, o biscateio do biscateador,
Do trabalhador de pouca monta; do serviço extraordinário,
Que dá pequenos ganhos, como a comida que os
Pássaros carregam no bico para os filhotes no ninho;
Como a liberdade almejada pelo biscainho, de
Biscaia, Espanha e a língua basca que só se muda
Para bisbórria, de homem ridículo, desprezível,
Quando permite o terrorismo; a causar o murmúrio
Da indignação, o sussurro da injustiça, o bisbilho daqueles
Que sentem na pele o bisbiglio da dor de uma ação
Terrorista por mais bela que seja a causa; até mesmo
A liberdade e a independência de um país; Nelson
Mandela deu exemplo, libertou seu país, não usou
Nem bisarma, antiga arma, espécie de alabarda,
Nelson Mandela me faz arrepiar, só em ouvir a pronúncia
Do seu nome; Mandela é bipetalo, tem no coração
Duas pétalas: uma é o amor, a outra é a paz.

Sofro de biofobia crônica pois tenho horror tão mórbido à vida; BH, 0120902000; Publicado: BH, 050902013.

Sofro de biofobia crônica pois tenho horror tão mórbido à vida,
Que não mereço continuar a viver; um ser que não é biodinâmico,
Não conhece a teoria das forças vitais da biodinâmica, precisa mais é de
Um bioco fúnebre, uma mantilha funesta para envolver
O rosto da covardia, com o capuz do medo; quereis saber
Mesmo, não tenho o "bio" do grego "bios", o elemento de 
Composição designativa de vida; não faço parte da 
Biologia humana, não chego à idade muito avançada,
Não sou longevo e nem vivo muito, não carrego o senso
Macróbio na minha composição; muitos que vivem
Longa vida, são até bínubos, casados em segundas
Núpcias, usam binômino, têm dois nomes; é binominal,
Fenomino que em ciência, é expressão de uma série
De fatos análogos, que nem ao binoculizar, nem ao
Olhar com o binóculo, pode se ver em mim; imagem
Incompleta e não binocular, que não serve aos dois
Olhos e que não pode ser fixada, como a que pode 
Fixar a vista em dois campos ao mesmo tempo,
Imagem que não compõe o binoculado, que não
É relativo a ambos os olhos, como o microscópio com
Duas oculares; tenho dois olhos mas pareço não
Ter nenhum, mais do que binerval, infinitivo
Binérveo, sofro com minhas eternas nervuras; e o
Fato de não me binar, de não praticar a binagem,
Não me qualificar a dar segundo amanho a
Terreno mais do que árido que sou; já que
Não digo missas, nem com permissão superior; a
Fazer operação de sericultura, que consiste em
Juntar dois fios ao fio já torcido do casulo, pois
Todo os meus fios estão queimados e a queimada
Acabou de destruir a binada, as folhas que estão
Dispostas duas a duas nos ramos; e que no espaço de
Dois meses, no bimestre, não aparecerá outra igual
E não quero mais me iludir; não quero mais me
Enganar, lograr prejuízo comigo mesmo, me roubar a
Verdade; e bigodear com a minha bigodeira, o
Meu bigode farto a farsa da falsa realidade da vida;
Homem vil, desprezível, com falsa devoção e velhacaria,
Biborrilhas do bigotismo, tem mais é que ser bem
Trespassado por objeto bigúmeo, por lâminas de dois
Gumes e tratado, bijugado, menor do que o certo
Qualificativo das folhas que têm pares de folíolos num
Pecíolo comum e ser puxado em vias públicas,
Arrastado por bíjugo de cavalos e pisado como
Se fosse uma bijuteria reles, joias sem valor e obras
De arte sem cunho clássico; e ter o bil, do latim bilis,
Correspondente a vel de terríbil para terrível e ainda
Se encontra em formas eruditas, flébil cadáver;
Núbil sem noiva, hábil lesma em substantivos
Derivados de adjetivos, amabilidade inócua e fria,
Na formação de superlativos sintéticos
Correspondentes também; amabilíssimo insensível e sem
Dúvida sensibilíssimo bilabiado, com lábios de bilabial, de 
Consoante que se pronuncia com o lábio superior e
Inferior, bilaminado, como lâminas de bilaterados, colocados
Em opostos lados; o bilbaíno, de Bilbau, Espanha, na
Bilharda do jogo de rapazes, com paus a bilhardar,
Dar vezes a bola com taco, ou jogar ao mesmo tempo
Bilhar de bilhardoiro bilharista, que a esquistossomose
Bilharziare, do médico alemão T. M. Bilhaz, evitou o cartão
Franqueado, o bilhete postal, correspondência fatal para
O bilhosetirn e bilhetes-postais para os compassar no inferno. 

Bilhostre fui em 1970 ao torcer pela seleção brasileira de futebol; BH, 0140902000; Publicado: BH, 050902013.

Bilhostre fui em 1970 ao torcer pela seleção brasileira de futebol,
Enquanto centenas de irmãos eram trucidados nos porões da 
Ditadura; eu merecia mesmo era a designação depreciativa de
Estrangeiro, não parecia um brasileiro, era um patifório, um 
Biltre, era conivente com os torturadores; e não fui solidário com
Com os que estavam a ser despedaçados pelos generais: como
Envergonho-me de mim; até aplaudi em um desfile em Teófilo
Otoni, cheguei a aplaudir o militar biliário, o regime zangadiço e
Arbitrário, que vergonha, aplaudi os assassinos de Carlos Lamarca
E não sabia ; só mesmo um ser não biligualado, só mesmo um ser
Não dividido dividido em duas lígulas, um ser sem expressão de 
Substância branca na base do quarto ventrículo do cérebro; um ser
Sem medida de capacidade para líquidos entre os romanos, sem a
Pequena expansão lamelar na face superior da base das folhas das
Gramíneas; com um verme faminto instalado no cérebro, inseto sem 
O lábio inferior, um gênero de molusco, um bilimbi, planta da família
Das Oxalidáceas, bilimbim, cujo fruto de sabor agradável, é usado em
Refrescos, mas, que infelizmente, não mata a sede bilinear, a sucessão
Por linha do pai e por linha da mãe, dentro da mesma tribo; que deixeis
O bilionário, ou o duas vezes milionário, o multimilionário, arquimilionário,
O colonizador, que foi a nossa bilirrubina, nosso pigmento de bílis, a
Nossa bilirrubinemia, a presença no sangue e até a bilibirrulinuria na
Urina; o nosso colonizador, nos contaminou de maneira tal, nos estragou
Mais do que biliteral, o bilítero que tem duas letras, é pouco para expressar
A herança maldita que nossos ancestrais nos deixaram; até hoje carregamos
A biliverdina, o pigmento verde resultante da oxidação e continuamos a ser
Devorados por bilobados, por dois lobos, um lobo de cada lado e em cada
Lóbulo; penduramos os penduricalhos, as contas, os chocalhos, as bugigangas
Que eles nos deixaram, um cadáver bilocular, com duas cavidades ocas; uma na
Cabeça outra no coração e a nossa sociedade foi só formada por eles com
Bilontra, burguês velhaco e elite de espertalhão e até hoje é uma bilontragem
Só, um procedimento de súcias de corruptos, onde todos só querem bilontrar;
Nós, o povo, não nos vemos livre desses bilotos, a excrescência contínua, a
Verruga é incômoda, eles são o cepo que repousa sobre a cabeça do cadáver,
Nos anfiteatros de anatomia e nos necrotérios; com eles não adianta bilrar,
Trabalhar com bilros, igual à bilreira de minha avó Conceição, era a mulher que
Fazia rende de bilros, lembro-me bem e durante alguns anos ainda guardei
Alguns por recordação; e depois os perdi, não me lembro como, o tesouro
Bilreiro, como no de uma árvore, se perdeu no tempo, a peça de madeira, ou 
De metal semelhante ao fuso com que se fazem rendas de almofadas; hoje,
Homem já, vil e infame, mais do que binaculado, preso nas malhas do pecado,
Inúmeras manchas de erros, manchado mais de duas vezes por toda alma,
Espíeito e afogado no bimar de lágrimas, bímare de choro, o pranto bimarginado,
Situado entre dois mares, com a enchente, a tomar as duas margens, a esperar
Só a época da bimbalhada, o toque mais do que simultâneo de muitos sinos, a
Anunciar a chegada da tão almejada felicidade; ao ferrar assim a dor, com a
Bimbarra, a grande alavanca de madeira e a bimbarreta para calçar o acelerador
Do bimembre, que tem dois membros, para espalhar o terror, a fúria da barrilada,
O conteúdo dum barril cheio de ódio, duma barrileira cheia de raiva; e da vasilha
Onde se faz a barrela do rancor, a perseguição à bignoniácea, espécime bignônia,
Planta da família das Bignoniáceas, dicotiledôneas, rica em árvores e trepadeiras
Ornamentais, medicinais; o bignoniáceo Ipê, a caroba do pequeno galgo, do bigle
Biglanduloso que tem duas glândulas; o Baco bigênito, gerado duas vezes e não
Nasceu direito, nasceu com bigeminismo, com manifestação de arritmia cardíaca,
Em que as pulsações  se sucedem em grupos de duas e nem chega a ser bigêmina,
Tal a folha, ou a flor que cresce com outra sobre um pecíolo ou pedúnculo comum
Bifurcado, dividido em dois ramos bífidos; o portal com duas portas, dois batentes,
A parede bífora com duas janelas: o quadro bifoliado, o retrato bifólio, o coração,
Duas folhas verdes, vivas e arteriais.

Graças a Deus e por minha fé e não sofro de doxomania; BH, 0150302001; Publicado: BH, 090902013.

Graças a Deus e por minha fé e não sofro de doxomania,
A paixão de adquirir glória e para quem já cometeu
Mais de doze pecados capitais e o duodécimo, o
Número formado de dez mais dois, merece mais do
Que a dozena de castigos; merece mais do que a
Dúzia de chicotadas e passar o registro de órgão
Da vida no lugar também chamado de quinta dos
Infernos; uma dracena, o arbusto da família das
Liliáceas, sangue-de-dragão, nome de várias plantas
De folhas ornamentais, não comete tantos escândalos
E valem mais do que a dracma, moeda de prata e
Peso da Grécia e Roma antigas; vale mais do que a
Oitava parte de uma onça e que vale a três gramas e
586 miligramas, peso antigo em vários países, tanto
Assim, como o dracocéfalo, planta ornamental da
Família das labiadas, de flores azuis, vermelhas; graças
A Deus, por minha fé, não sou doutrinário, nem 
Doutrinável e nem sectário do liberalismo sistemático
Em política; por minha fé, gosto de doutrinar, de 
Ensinar e instruir em uma doutrina, gosto de apostolar,
Como um bom filósofo, pronunciar e escrever doutrinas,
Ensinamentos; sou do tipo que encerra instrução,
Doutrinamento, catequese; prédica e doutrinação e
Sistema, ou regra que cada um segue no seu
Procedimento; não cheguei a doutorar no conjunto de
Dogmas e princípios em que se baseia uma crença
Religiosa, sistema filosófico, ou político; não chegaram
A conferir grau de doutor à minha catequese cristã;
Não cheguei a receber grau de doutor por minha
Disciplina, não fui doutorando em ciência, não sou
Aquele que se prepara para receber princípios da
Religião cristã, expostos em catecismos; ai de mim,
Malgrado meu, não sustento ar doutoral e nem sou
O que tem a gravidade pedantesca de doutorado, de
Graduação, de alma de doutora, de mulher sabichona,
A minha avó e que fala sentenciosamente; é, não
Tenho título que, por disposição legal, compete aos
Magistrados; não sou homem muito douto em qualquer
Ramo e nem fui aquele que se formou numa faculdade,
Ao ter recebido a mais alta graduação desta faculdade
E especialmente médico, abomino tudo isso, não sei se
Por despeita, inveja, ou outro mecanismo qualquer; quem
Olha-me, vê que não se revela erudição em mim; quem
Fala comigo, sente logo que não sou sábio, erudito e
Muito menos instruído e percebe logo que sou daquele
Que não aprendeu muito; ai de mim, não sirvo nem para
Douro, para embarcação de fundo chato, usada na pesca
Do bacalhau, nos mares do Norte; e eu que até pretendia
Dourar, pretendia revestir-me com uma camada de ouro,
Dar-me alguma cor de ouro por dentro e por fora;
Tornar-me resplandecente como o ouro, iluminar-me
E dar-me um brilho natural; pretendia realçar-me, 
Adornar-me, sem dourar a pílula, ao disfarçar com mostras,
Ou aparência agradáveis, com razões plausíveis e não
Conseguir nem a douradura, nem a camada, ou folha
De ouro que reveste um objeto, não cheguei nem ao brilho
De coisa dourada do que tem a arte e a operação de
Dourar de uma doiradura, o valor do dourador, o preço do
Doirador, que doura até o coração em trevas; quero ser
A camada aderente de ouro que reveste objeto; quero ser
Um peixe de mar pertencente à família dos corifênidas,
Quero ser um peixe de rio da família dos caracídas, também
Chamado pirajuba; prefiro morrer de morte súbita, a ser de
Aparência bela, mas ilusória; a ser enganoso, prefiro morrer
A ser um falso dourado, um doirado de mentira, ornado de
Ilusão; graças a Deus, sou uma douradinha, uma espécie de
Jogo de cartas, a dama de ouros nesse jogo douradão, arbusto
Das rubiáceas, também batedeira, peixe de rio, dos lulúridas;
Nome dado a uma casta portuguesa de uva branca; graças a
Deus, a minha douração é outra e a doiração que tenho é o 
Dote que ninguém pode pagar; mais do que bens da pessoa
Que se casa, mais do que a mulher recebe de ascendentes, ou
Terceiros por ocasião do casamento, mais do que os bens que a
Freira leva para o convento; é um dom natural, um merecimento
E não tem preço, não dá para dotar, fazer dotação, estabelecer
Uma vida, prender e favorecer, beneficiar com algum dotado
Natural, se não nascer, não adianta que não vai constituir
Para si, como se fosse prendado que possui dotes de qualidades;
Graças a Deus, não tanho renda destinada à minha manutenção,
De minha pessoa, corporação, ou ainda dotada, designada em
Prenda de espírito, formosura para fazer face a determinado serviço.