sábado, 21 de outubro de 2017

Dobres o toque dos sinos e é finados e não nasci no ato; BH, 080302001; Publicado: BH, 0150902013.

Dobres o toque dos sinos e é finados e não nasci
No ato de cantar dos pássaros, só ouvi os corvos,
Os abutres e os urubus; e na repetição da mesma palavra,
Ou fórmula, que não deu certo em certos lugares de
Uma estrofe e nem dará certo aqui; e no fazer soar
O sino ao dar voltas sobre o eixo, é para anunciar que não
Nasci, vim para coagir, para obrigar e submeter e abaixar
À sepultura e inclinar a alma ao caixão, vim para
Domar, abater, curvar, vim para vergar o forte; ai,
Sou a morte, e não quero voltar, ou virar um objeto
De modo, que uma ou mais partes dele fiquem sobrepostas
A outra, ou à outras; não quero acrescentar o bem com
Outro tanto, não quero tornar duas vezes maior a vontade
Ao bom, não quero duplicar o amor, multiplicar a paz,
Aumentar a felicidade: vim para dobrar a dor; pagar
Com dobrão, antiga moeda potyuguesa de ouro, ou
Espanhola, de cobre, no valor de 40 réis; toda alma
Penada que conseguir comprar, sou a ação que
Provoca o aparecimento de dobras, ou rugas nas rochas;
Sou o efeito da dobradura, a causa  do dobramento,
Eu faço o mau dobrado, sou o ruim duplicado, vivo
Enrolado sobre mim, e derrubo do indivíduo forte,
E robusto, adepto da marcha militar, ao que aprecia
A alteração do cantar dos pássaros, o cobrado; e a
Iguaria feita com as vísceras de boi, ou vaca, a guisada
Dobradinha; quando eu era vivo, dobradiço, a apreciava
Muito, e com louvor, hoje destruo a peça de meatal formada
De duas chapas unidas por um eixo comum, e sobre a
Qual gira a janela, a porta, a dobradiça de certo passo
De frevo; arrebento todas elas, todas as portas, todas as janelas
Como uma dobradeira, um instrumento de encadernador
Para dobrar folhas, e chapas, e capas de livros; o cobro da operária
Gráfica que dobra folhas impressas em cadernos; ao que deleita
Com a dobrada, lugar em que do alto de um morro,
Monte, ou espigão, se começa a descer, na ondulação do
Terreno, quebrada; vim com vinco, voltado, prega e como
Ponto em que a parte dobrada de qualquer objeto se
Sobrepõe à outra parte; faço o encurvamento e a flexão
Que sofrem as rochas e sou as diversas causas, que cujo
Valor das coisas, variou nos diferentes reinados; nasci para
Enovelar o fio da meada, sou a dobra do voltear, do
Vento; o mover em roda muitas vezes como se move uma
Dobadoura; vim para revolutear, rodopiar e fazer todo aquele
Que me olha, cair a dar voltas; não vim para doar a vida,
Para fazer doação e transmitir gratuitamente a outrem
Bens e dar algo de mim; conceder e atribuir como dom e
Consagrar o que for doado, transferido por donativo e
Acabar com o ato e o efeito de doar; não ser aquilo
Que se doou e falsificar o documento que
Legaliza e assegura  a dó, a comiseração; a
Compaixão, o fim da lástima e da pena e até
A primeira nota da escala musical e a
Contração da preposição de com o artigo o, ou com
0 pronome demonstrativo, ou com o neutro o; e o dm,
A abreviatura de decímetro e quanto o nome dado
Pelos árabes, a entidade benfazeja, djim, ou maléficas,
Superiores aos homens e inferiores aos anjos, fico com as 
Maléficas, que são o meu destino, herança e legado;
Vim para dizimar, destruir parte de tudo, matar
Um soldado em cada grupo de dez e lançar impostos,
Imposto de dízima sobre o povo, desfalcar a família,
Diminuir o sorriso, arruinar a beleza do rosto; e liquidar
A verdade e ezteminar a liberdade; não pago o 
Dízimo, a décima parte, o foreiro e o décimo; e o
Fruto do coração djalmaíta, de mineral monométrico,
De óxido de tântalo, cálcio, urânio e nióbio; nasci para
A dizimação, para o cerceamento da humanidade; e
Cobrar o imposto equivalente à parte do rendimento,
A fração decimal que resulta de uma fração ordinária;
Sou pior do que pastor de igreja evangélica e
Sou pior do que padre de igreja católica, que só sabem dizer 
Sermão com uma mão e cobrar dinheiro cmo a outra; vim 
Mudo e sem a linguagem falada, perdi o dito
E a expressão do pensamento; não tenho o estilo
De predizer, adivinhar e prescrever, aconselhar e confessar
Então? não é comigo não; pois não vim para depor,
Afirmar, certificar e nem declamar; não sei o que 
É pronunciar, falar, contar, ou narrar, ajudeis-me
A referir, a indicar e a mostrar, quem sabe eu aprenda
A instruir-me, a recitar e a proferir, a emitir opinião;
Pois não sei dizer, não sei expor, enunciar, emitir e
Exprimir por palavras; sou pobre, não tenho o dixe,
Não mereço o ornamento de ouro, a pedraria, ou a joia;
Não mereço enfeites, berloques para correntes de relógios;
Sou um pequeno objeto para brinquedo das trevas,
O precipício da divulsão, do separar com violência,
Do rasgão causado pela procela; e nasci, mas não
Para divulgar, não para tornar público, dar a conhecer,
Apregoar e propagar a cultura; e difundir o saber,
Publicar como um divulgador que prega a presença da luz. 

Desde o tempo do dinossauro dolicópode; BH, 0170302001; Publicado: BH, 0140902013.

Desde o tempo do dinossauro dolicópode,
Que tinha os pés grandes e era doliocéfalo, tipo o 
Humano cuja largura do crânio tinha quatro
Quintos do comprimento, não sinto a cor do 
Dinheiro, o calor da grana, do dólar, da unidade
Monetária dos Estados Unidos da América do Norte, ou 
Do Sul, nos fundos dos meus bolsos; apelei aos dois-amigos,
À coroa-de-cristo e nunca fui a pessoa e nem o 
Objeto que numa série ocupa o segundo lugar e 
A carta de baralho, a face do dado, ou da peça de
Dominó, marcadas com dois pontos, valem juntas mais 
Do que eu em separado e o algarismo que representa
O número cardinal formado de um mais um,
Chega sempre na minha frente e não sou nunca
O segundo e minha alma, de doida, igual a
Moléstia que dá nos miolos do gado lanígero,
Minha mente douda não deixa avançar nenhum
Pensamento, nada, nem de dogue, variedade de
Cães, atarracado de corpo, focinho chato e índole
Bravia, mata a imaginação dogesa, a inspiração
Da mulher do doge, magistrado supremo das 
Antigas repúblicas de Veneza e Gênova e a esperada
Poesia dogaresa, fica enterrada no túmulo da dogaressa;
No altar dogal, próprio do vitupério, da injúria e
Da ação desonrosa de que se acusa alguém,
Num doesto infame, no dirigir doestor, ao
Justo, sem insultar o ímpio; sem injuriar o pecador, a
Esquecer também de doestar o perdido, com
Algum adjetivo dodecassílabo, com algum baixo
Desqualificativo, que tem doze sílabas, em palavra,
Ou verso; pois para controlar uma mente doentia,
Nem a dodecarquia, a forma de governo na
Qual um conselho de doze membros exerce
O poder, igual o de doze reis que na antiguidade
Dirigia o Egito; e o botão que se abrirá em
Meu coração dodecapétalo, a gerar doze pétalas
Cada uma com um dodecandro de doze estames
Livres entre si de faces do dodecaedro e de lados
De poliedro dodecágono a esconder o rosto
Dodecaédrico nas nuvens negras das trevas, de
Onde surgiu a meiguice, acabou o sabor açucarado
E baniu a simplicidade; que amargor sinto
Pela falta de doçura, perdoeis-me a minha
Qualidade, não é a do que é doce, a do que
Tem gosto de brandura e suavidade no olhar;
Não carrego declaração escrita para servir de
Prova, título, ou diploma para demonstração
Pela instrução recebida; a vida é o meu próprio
Documento, a morte o documentário, como os
Documentos para o filme de curta metragem,
Com caráter de reportagem rápida, pois é
Tão fácil de documentar, de provar, juntar
E corroborar, que não merece premiação;
É a documentação mais insignificante, é a
Comprovação mais suspeita, a função sem o
Álibi, o conjunto destinado e determinado a
Esconder os fatos, pois sou apenas um resto
De um destroço de presença já engolida
Pela ausência; e que não fala doutamente, não
É eloquente, como um escrito doctíloquo, que confunde
A verdadeira docilidade, a verdade de ser
A brandura tortura, mesmo tudo que se pode dobrar com
Facilidade; o homem flexível, obediente e submisso
E até o que ensina cultura, professor que passa conhecimento,
Lente de sabedoria, docente, professorado que propaga o
Ensino, quase toda docência sofre violências, até
Hoje incalculáveis e são lembranças que não têm o
Sabor semelhante ao do açúcar, ou do mel; são recordações
Que não têm sabor agradável, não deixam terno
O rosto, afetuoso o semblante, meigo o espírito, afável
O ser, suave  a alma; não deixam ameno o ar. benigno o
Homem, encantador o respeito, ditoso o amor, melífico e
Melífluo como todo produto culinário em que se encontra
Essas e outras substâncias de doçaria, abundância de
Doceira, de confeitaria e teor de doceiro, confeiteiro,
Artista de doçarina, espécie de charamela que se usou
Do século XII, ao XVII e parte de um porto, ladeada de
Muros e cais, onde se abrigam navios e tomem, ou
Deixam cargas; é o estaleiro, o armazém de entreposto
Para comércio marítimo, é aí mesmo que enterrarei meu
Coração; é aí que deixarei o dobro de mim, a definição
De uma coisa, o duplo meu, produto de uma quantidade,
0 número multiplicado por dois, ou mais dos meus eus.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

É o "c" de lua e terceira letra do alfabeto; BH, 0170902000; Publicado: BH, 0190902013.


É o "c" de lua crescente e terceira letra do alfabeto,
Seu nome é "cê" e na numeração romana vale 100;
É símbolo do carbono, elemento de número 6 da
Classificação periódica; a nota dó na música, o sinal
Do compasso quaternário e terceira numa série que
Tem letras e não números como referência; e de
Cá, ou de lá, aqui entre nós, este lugar é sagrado,
Não é profano, não é amaldiçoado; e pelo bem e
Para evitar o cã, o cabelo branco, basta de maldição,
Basta de assombração; agora é hora de elevar a
Título de chefe, na Ásia Central, o sobrevivente na
Caatinga; o sertanejo da mata do Nordeste, de
Vegetação baixa, cheia de espinhos, gravatás, cactos,
Cardos e cujas árvores perdem as folhas na seca,
Igual ao homem perde o sangue, na região onde
Ocorre essa vegetação maligna; a cabaça fica seca,
Esquecida a vasilha feita feita com a casaca do fruto do
Cabaceiro, depois de despojado da polpa e que se
Resseca com o tempo; a cuia fica ali, sem sentido e sem
Ser útil, não sobra mais nada para se colocar dentro
Dela; e a esperança é nem mel, nem cabaça, nem uma
Coisa e nem outra, nada; só a promessa secular e o
Dinheiro a sumir, a corrupção a aumentar e o político
Que explora tal situação, a ficar cada vez mais rico; mais
Tem a árvore da família das bignoniáceas, de cujo fruto se
Fazem as valorosas cuias; só que usada nos folguedos de
Entrudo e eles usados para fazerem desaparecer as
Verbas; para mim, prefiro ficar mais próximo do fruto cabaço,
Do hímen, da virgindade rara da mulher virgem, do que me
Aproximar dum político, ainda mais político podre, sem
Caráter completo, sem destino definitivo e de intensão
Cabal, que é agir em benefício próprio e usar a cabala, não
Como a interpretação usada entre os judeus, mística e
Religiosa da Bíblia e sim como a ciência oculta, não a que
Pretende comunicar com os espíritos e sim a do conluio, da
Maquinação, do ato cabalador de arregimentar e reunir
Eleitores para comprar votos, para ele, ou algum candidato
Comparsa e intrigar cada vez mais a democracia; o certo é
Afastar então daquele que só sabe cabalar, que tem espírito
Cabalístico, relacionamento relativo com o misterioso da
Maracutaia, o enigmático placar da jogatina, enquanto a
Maioria do povo mora em casa de madeira, quando tem casa
De palha, ou de outro material grosseiro e construída
Rusticamente; uma verdadeira choça, uma choupana, mocambo,
Palhoça, cabana a contrastar com os apartamentos de luxo e as
Mansões dos nossos felizes figurões da política: tudo a custo do
Povo trabalhador brasileiro; o nosso político cabano é uma
Vergonha, não dá para compará-lo nem com o animal, geralmente
Boi, ou cavalo, ou outro que tem chifres, ou orelhas voltadas para
Baixo; o que mais se assemelha com ele é o morcego de grande Porte do Rio São Francisco; e a classe envergonha qualquer membro
De partido sério, que é raro e nas revoltas da Cabanada, 1832 e da
Cabanagem, 1835, fazem do país um cabaré, uma casa noturna e
Dancer; um prostíbulo onde só eles lucram: o Brasil precisa de uma
Cabeça, como a parte superior do corpo humano e anterior, ou
Ou superior de alguns animais e que contém o cérebro e órgãos e
Funções dos sentidos; o Brasil precisa de crânio, não os que enchem
Os campos do Camboja, das masmorras das Coréias e sim o que fica
Na extremidade superior de um objeto; e o animal contado numericamente;
O Brasil precisa de pessoa inteligente, talentosa e de direção de uma
Empresa, de líder, chefe, responsável e não a ponte provisória que se
Instalou em Brasília e se pensa dona da posição ocupada por uma tropa em
Território inimigo; e que anda com a cabeça no ar, anda acima do poder, é o
Viver distraído da realidade e não saber baixar-se, envergonhar-se e se
Humilhar com o péssimo governo exercido e não sabe obedecer o povo, não
Sabe resignar-se, e decidir-se a ir em frente para satisfazer ao povo até às
Últimas consequências; e não satisfazer banqueiros, empresários, especuladores,
E demais exploradores das riquezas da pátria; é de perder-se a serenidade, é de
Enlouquecer-se, não é de apaixonar-se, é de quebrar-se os ânimos o senado, a
Câmara, os ministros, o presidente, vice, governadores, vereadores e não sei mais
O que vivem às custas do povo, que só faz lutar com dificuldades, pensar e estudar
Em excesso e no final, quebrar a cara, malograr com diploma na mão, fracassar na
Profissão, sentar e não passar mais a agir com ponderação e juízo e deixa de ser
Inteligente, deixa de ser vivo, deixa de ser sagaz; tudo leva-o à irritação e ao
Desatino, com o comportamento de alguém, que não sabe agir, não faz alguma coisa
Para a moral subir e sobre o cabeça-chata então, o cearense, o Nordestino, o Nortista,
Aí é que são maiores ainda a perseguição, a discriminação, o preconceito, vive de cabeçada
Em cabeçada, a levar pancada no movimento da vida, faz uma tolice aqui, fala uma
Asneira ali; rompe parte dos arreios, rompe o freio e o cabresto, a brida que o cinge, como
Se fosse cavalgadura e sofresse de cabeça-d'água, a hidrocefalia, que não deixa pensar;
Perde a cabeça-de-casal. deixa de ser chefe de sociedade conjugal, abandona o lar e a
Mulher, os filhos e vem ao Sul, morar em cabeça-de-porco, em habitação coletiva, onde
Vivem muitas pessoas sem conforto e em promiscuidade; o cortiço moderno; a mulher
Arruma outro e se acaso ele volta, quer soltar cabeça-de-negro, bomba de São João,
De estrondo muito forte; e aí é que o bicho pega, é a tal da cabeça-inchada a despeito
Da derrota, a perda da mulher, o despeito amoroso, a dor-de-cotovelo, o ciúme e a
Cabeça dura do indivíduo teimoso, a pessoa bronca e cabeçuda que acaba a cometer
Um crime, ou mata a mulher, ou mata o amante, ou mata a ambos; e passa atrás das
Grades o resto da vida de pessoa leviana, distraída, cabeça-de-vento, como o corpo
Cheio de furúnculos, espinhas pelo rosto, vida de girino, de cabeça-de-prego, de larva
Aquática dos mosquitos pernilongos, da família dos culicidas; o Brasil precisa da
Organização de um cabeçalho, como o nome e os dados permanentes que estão
Na parte superior da primeira página dos jornais e dos vitrais das capelas ancestrais.

A pior coisa que acontece comigo; BH, 0220402000; Publicado: BH, 0210902013.

A pior coisa que acontece comigo, 
É quando deparo com uma folha de
Papel em branco na minha frente e
Uma caneta na minha mão;
Quando tenho que me provar, me
Colocar à prova e procurar saber se,
Realmente consigo passar ao papel, alguma
Ideia, algum lapso de razão, ou um
Pensamento lógico, desenvolvido, ético;
É aí que encontro a dificuldade,
É aí que percebo que não tenho,
Nenhum grande desenvolvimento intelectual
E que é pura besteira e tolice, ficar
A pensar que tenho alguma qualidade
E competência em manipular as letras,
As palavras, as frases; é até uma vergonha,
Uma mediocridade, imaginar que,
Conseguirei a pureza no vernáculo,
Que conseguirei domesticar a verborrágica,
Essa fera rara e erudita, clássica
E formadora de verdadeiras obras-primas;
A pior coisa que gera a minha angústia,
Que gera a minha ansiedade, é justamente
A tentativa em escrever algo de útil;
Só que não sei qual a futilidade é maior,
A estupidez é eterna, a ignorância infinita
E todos os meus fantasmas que me atormentam,
Todos os meus espíritos malignos e desesperados,
Prostram-me por terra, um fardo de fadiga;
Um fardo de desesperança e inutilidade,
Mas não tem nada não, o pior já passou,
A procela já acalmou-se e até estou
A respirar normalmente, sem depressão, sem
Aparelhos, sem pressão de espécie alguma e tudo
Se encontra equilibrado e em perfeito estado;
Não perdi os princípios, não perdi meus valores,
Ainda os preservo para alguma reserva de
Emergência, algum motivo de urgência e
Quem sabe não serei um dia aproveitado.

Cansaço; RJ/SD; Publicado: BH, 0210902013.

Tudo que faço, 
Cansa-me,
Cansa-me a mente e
Cansa-me a alma
E cansa-me os braços;
Tudo que sinto, 
Dá-ma náuseas
E enjoa-me o estômago
E faz-me vomitar;
A vida de hoje só ensinou-me a odiar,
No meio da violência fui criado,
Não conheci o amor durante a minha vida,
Perdoes-me, 
Não sei o que faço;
Pois sou um ignorante,
Sou um fraco diante de tudo;
Não prestei para nada até agora
E só aprendi a fazer o mal;
Matei minha alma
E deixei enferma minha mente;
Tudo que faço, 
Cansa-me,
Não conheço o prazer de viver,
Não conheço o prazer do amor;
Quero te conhecer, 
Pois preciso de ajuda,
Não quero morrer antes de nascer;
Quero conhecer o amor,
Quero sentir o amor
E ser um incansável ao praticar o amor;
Perdoes-me, 
Sou apenas um homem.

Se queres saber quem sou; RJ/SD; Publicado: BH, 0210902013.

Se queres saber quem sou, 
Vou te falar,
Mas duvido que depois, 
Vais me querer;
Sou a borra do café, 
Sou o bagaço da cana,
Sou o fusível queimado, 
Sou a mão fechada
E sou a palavra não;
E tu não me conheces
E não te conheço,
Porem ninguém pode me ajudar;
Sou o sabor da morte, 
A semente deixada nas pedras,
O esperma lançado na terra, 
Sou a mente enferma;
E sou o espírito do mal, 
O que tu podes querer de mim?
Nem amor tenho
E nada posso te dar;
Não sei o que é a felicidade, 
Sou o fósforo queimado,
Sou a água na peneira, 
Sou a árvore sem raízes;
Sou a estrela que caiu do céu, 
Sou o sol sem luz,
Sou o corpo sem energia, 
Não lutes para me conseguir;
Nada aqui me faz bem, 
Vou morar nas megazonas
E beber nitroglicerina, 
Nada aqui me dá prazer
E nada aqui me dá amor
E nem mesmo tu.

Sobre mim o meu domínio e a minha dominação; BH, 0170302001; Publicado: BH, 0180902013.

Sobre mim o meu domínio e a minha dominação
E o que tem autoridade, posse e senhorio sobre
O meu ser e o meu ente; não o meu medo e a
Minha covardia e penso que, nem se fosse um
Domínico religioso da ordem de São Domingos, 
Teria fé e paixão; e nem se fosse um dominicano,
Da República Dominicana, de São Domingos e 
Antilhas, teria tanta fragilidade, superficialidade
E fraqueza; sinto que não sou relativo a quem tem 
Domínio ao Senhor, Deus abandonou-me e de 
Dominial, só o dominical, o dia de domingo, como 
Outro qualquer, com sentimento de dominguinha, 
Planta da família das rolanáceas; e de domingueiro, 
É só o que visto e uso, festivo e garrido, no primeiro
Dia da semana, destinado ao descanso; deixei
A covardia dominar-me, deixei o medo ter
Autoridade e poder sobre mim, deixei a mentira
Exercer e ter primazia na minha vida e a
Falsidade domínio sobre minha alma; e conter
Meu espírito, refrear o ânimo do meu ser e subjugar
Meu ente; deixei-me vencer por toda imaginação,
Que quer abranger e ocupar um lugar de destaque
Em mim, ocupar inteiramente meu corpo, prevalecer 
Sobre meu organismo, a preponderar no metabolismo, 
Ao tomar conta das entranhas desfraldadas; ai de mim, 
Malgrado meu, o dominador não quer libertar-me, 
Livrar-me da dominante, a força que domina, e governa
A minha cabeça e cérebro; que prevalece no meu crânio, 
Ao ser bem preponderante, predominante e que é mais
Geral, principal e que sobressai, que mais se distingue 
E a deixar-me envergonhado, triste, longe da nota que 
Domina o tom, longe da quinta nota acima da tônica; 
E é o mau que gosta de governar-me, que infunde 
Respeito como a dominação de uma autoridade 
Exercida soberanamente, sobrenaturalmente; e fez de 
Mim casa de residência, de habitação fixa de várias 
Moradas; fez de mim lugar onde alguém reside com 
Ânimo permanente um domicílio igual sede da 
Administração das pessoas jurídicas, um domiciliário 
Das coisas ruins, domiciliar da armadilha, engano,
E traição; e o que é concernente à minha vida íntima de
Minha família interior, caseiros, familiares internos;
E assoldado íntimo, tal o designativo do animal útil,
Que vive e é criado em casa, familiarizado, doméstico,
Digo que é Cérbero, o cão guardião e acorrentado, que
Jamais será domesticável, que jamais poderá ser 
Domesticado; e afasta tudo que poderá domesticar-me
E bane o sociável, expulsa i civilizar; e tudo que quer domar, 
Sujeitar e amansar, num ato de domesticação, o lado negro 
Do meu coração; não entendo o que é civilizar-me, o que é 
Ter algo de doméstica, de mulher que trabalha em casa, que 
Faz os serviços caseiros, a boa empregada prestativa; 
E quando evoluir para dom-bernardo, para planta da família 
Das Rubiáceas, serei domável, serei fácil de amansar e o
Domador será uma criança, um menino, uma menina, que 
Domam a fera e a leva na coleira, numa correntinha de latão;
E aí, sei, que perguntarão: cadê aquele ser doloso que estava 
Aqui? cadê aquele em que havia dolo e que só agia de má fé? 
Vai ali, levado pela mão de um menininho; vai ali, sem ser cruel, 
Pungente e sem fazer mais ninguém sofrer moralmente, vai ali
E não está mais aflito e nem angustiado; não o vejo mais 
Lastimoso e nem amargurado, não ouço o ganir doloroso, não 
Ouço mais o latir que produz dor, o ladrar dolorido, dorido, 
Magoado, lastimoso; acabou-se a fraude e a astúcia de má fé, 
Acabou-se o engano e a maquinação da ignorância e a traição 
De todo ato que conscientemente, alguém induz, mantém, ou 
Confirma outrem em erro; morreu a vontade dirigida à obtenção
Dum resultado criminoso, ou à assunção do risco de produzi-lo;
Agora desejo é de dolomito, é de rocha constituída essencialmente
De cálcio e magnésio, na ânsia de acertar, agora a vontade é de
Dolomita, de mineral trigonal, carbonato duplo, de sair do limbo,
Com a firmeza do dolmênico, com a dureza do dolmético,
Monumento druídico, formado de uma grande pedra chata colocada
Sobre duas outras verticais; agora é o brilho do dolmã, da veste
Militar com, ou sem alamares e o fim da dolina, o fim da
Depressão em forma de funil ocasionada pela dissolução
Em regiões calcárias, ou pelo desmoronamento consequente
De tais dissoluções: dolência, mágoa, dor, sofrimento, toda
Qualidade de dolente, que manifesta dor lamentosa.