quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Quem quiser poder e glória tem que ter pena; BH, 0201102017.

Quem quiser poder e glória tem que ter pena
E não ter pena, abrir a pena e não cumprir
Pena, mesmo marginal, maldito, cigano,
Peregrino, nômade; carregar pelo menos três 
Cruzes nas corcovas, na corcunda, na 
Cacunda e no cangote; passar incólume 
Entre as colunas, passear pelas pilastras,
Sustentar os pilares do firmamento; e quem
Quiser poder e glória, não precisa ser um
Deus, derrotar demônios, titãs, gigantes,
Gnomos, duendes, ciclopes, polifemos; 
Basta ter a letra certa, a palavra correta, o 
Verbo conjugado, o substantivo colocado; 
E ao abrir os olhos, abrirá os olhares dos 
Semelhantes, terá nome e dará nome aos 
Nomes e o dicionário será pequeno e a 
Enciclopédia concisa; formará pérolas, 
Arquitetará dunas, polirá diamantes brutos e 
Construirá cordilheiras de montanhas de 
Morros infinitos; com a ponta do dedo,
Riscará na terra um universo n ovo, esmagará
Com as unhas os dragões e ao morder o 
Átomo, libertará a energia de potência 
Concentrada; Hércules, Sansão, Maciste, 
Talos, quantos forem os empecilhos, serão
Todos superados; e tal o primeiro ente da 
Pré-história, uma entidade da era da pedra 
Lascada, a enfrentar o futuro inglório das 
Gerações das quais só herdaremos as 
Imperfeições de quem quiser poder e glória.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Eles sabiam e sabem e saberão; BH, 0250102018.

Eles sabiam e sabem e saberão,
Que nunca fomos e não somos e nunca 
Seremos de nada; está no nosso sangue,
Está na nossa história, a covardia, a 
Inércia, a conivência; nunca estivemos,
Nunca estamos e nem nunca estaremos
Do lado certo da história, não; seremos
Sempre capachos dos poderosos, dos golpistas,
Dos falsos heróis, dos falsos profetas; nunca 
Lutaremos por nossos direitos, por nossas igualdades,
Minorias e desprivilegiados; odiaremos os 
Pobres, os fracassados, os miseráveis, os índios,
Os negros quilombolas, sem terras e sem tetos;
Eternos escravos da burguesia, da elite,
Lamberemos as botas sujas da plutocracia e 
Justificaremos os bandidos, corruptores,
Corruptos, corrompidos da cleptocracia e 
Suas corrupções; aceitaremos as religiões,
Suas mentiras e indulgências em nome de 
Deus; e não sentiremos vergonha das aberrações,
Estupidezes, ignorâncias, bizarrices, morbidezes e 
Demais monstros que vomitaremos no nosso
Cotidiano; e nos despiremos em praças 
Públicas das nossas razões, noções, sentidos,
Sentimentos, percepções, intuições, lucidezes e 
Exporemos as entranhas fétidas, os estômagos 
Estragados, os organismos apodrecidos; e enterraremos
Mais um herói do povo, aplaudiremos a 
Justiça seletiva, aos amigos tudo, aos inimigos
A lei; continuaremos a compor a camarilha 
Dos deputados, com os que nos representam,
Nos nossos mais baixos instintos; e no 
Senado os mesmos sem-vergonha, pilantras
E vagabundos iguais a nós mesmos;
Continuaremos vira-latas, com o rabo 
Entre as pernas, boçais a sorrir para boçais, a 
Defender entreguistas, lesa-pátria, a ruminar
As frustrações, as humilhações, os complexos,
A diminui o Brasil diante da humanidade,
A dobrar os joelhos da Pátria Grande perante
As outras nações; eles nos conheciam,
Nos conhecem e nos conhecerão muito
Bem, ou não ousariam, não teriam a audácia,
A coragem de destruir nossos sonhos.

Quando eu estiver à morte não ponhais o breviário em minhas mãos; BH, 0140802000; Publicado: BH, 020702013.

Quando eu estiver à morte, não ponhais o breviário em minhas mãos, 
O livro de orações diárias dos padres, não é o meu livro preferido; e 
Para acompanhar-me ao meu brejal, ao brejo extenso, à região cheia 
De brejos, prefiro "As Flores do Mal" de Baudelaire; e ao recanto de 
Brejeirice, à qualidade  do brejeiro da morte, não mandeis velas, 
Mandeis algo de malicioso, de gaiato, do tipo dum brejo mesmo, dum 
Terreno alagado, dum pântano; ao entrar na brenha, na floresta 
Expressa, o matagal de confusão da morte, não quero comunhão, nem  
Comungar-me, não quero confessar-me e se tivesse nascido, no tempo 
Da inquisição, seria chamado em breve tempo de herege, teria 
Pouquíssima duração de vida, seria rápido interrogado e torturado; 
Abriria mão do escapulário, que contém orações e em pouco tempo, 
Cedo mesmo, seria jogado vivo na fogueira, depois de ter passado 
Pelo padecimento, retalhamento públicos; quando os fantasmas
Vierem brocar-me, furar e perfurar com broca, transformar-me em tecido 
Entremeado com fios metálicos que formam relevos, brocado e cheio 
De broca-de-café, inseto coleóptero, que ataca as raízes dos cafeeiros; 
E não quero levar o brocardo, a regra de direito expressa de maneira 
Concisa e fácil de aprender; deixarei aqui os provérbios, os ditos 
Sentenciosos, as leis da moral, da ética e da razão, que nunca cumpri e 
Não assimilei; não passei de prego curto e de cabeça larga, a faixa de 
Couro cru que se usa nas cangas dos bois, não passei da brocha, de 
Livro não encadernado, brochado que ninguém quer brochar, quer 
Costurar, acrescentar uma capa flexível; sou o broche esquecido
Depois do uso, o alfinete de segurança que perdeu a segurança e 
Deixou de ser ornado de lavores e de pedrarias e não é mais usado na 
Indumentária feminina; como a brochura que não deu certo, que não 
Virou nem best seller, quanto mais clássico, obra-prima, de arte e bela;
O ser que não tem nem a utilidade da planta hortense,  o brócolis da 
Família dos crucíferos, de que se comem os brotos e as inflorescências, 
Com certeza será rejeitado pela morte, não será bródio de vermes, não 
Será refeição de micróbios e bactérias; e na bromatologia, a ciência 
Que estuda os alimentos, sob seus aspectos de toxidez, certamente não 
Serei catalogado; o bromatológico verá que sou um acepipe intragável; 
E a bromatologista especializada não me incluirá certamente em sua 
Relação e o bromatólogo brometo, na combinação do bromo com outro 
Corpo simples, metaloide de símbolo químico Br e massa atômica 
79,916, o qual se apresenta sob forma líquido-gasosa, não porá fim à 
Minha bronca, à repreensão contra a humanidade, a fúnebre reclamação 
Veemente contra o cadáver mórbido, que se em problema tétrico, em 
Aborrecimento putrefato, tudo por motivo de um morto bronco, um 
Fantasma estúpido, um vulto rude e uma silhueta de ignorante que não ver
A causa mortis, nem na broncopneumonia, a inflamação e a congestão 
Dos brônquios e dos alvéolos pulmonares, que uma simples broncospia, 
Um exame direto da traqueia e dos brônquios, até impediria o bronquear 
Total, o reclamar geral do mal cheiro bronquial, de cada um dos dois 
Condutos em que se divide a traqueia; e nos tempos do brontossáurio, 
Dinossauro herbívoro  da América do Norte, que media aproximadamente 
3,80 de altura e 7,20 de comprimento, não precisava de arrependimento, 
De extrema-unção, do ato e do efeito de ungir, untar, o sentimento d
Piedade, o modo comovente de dizer, de untar com óleo, aplicar os 
Consagrados, as substâncias, o sagrar com o unguento, essência 
Aromática, bálsamo, pomada para fricções de diversas ligas à base do 
Cobre e em especial, a de cobre, estanho e zinco, o bronze para escultura 
Ou medalha feita; a idade, o período da pré-história durante o qual o 
Homem descobriu e utilizou o bronzeado, com o tom e a pele queimada, 
Sem o uso do bronzeador e daquilo que bronzeia, com denominação de 
Certos produtos que bronzeiam e protegem a pele durante o banho de sol,
Ao revestir do queimar e do bronzear o duro brônzeo o broquel do escudo 
Antigo redondo e pequeno a brotação sobre a sepultura o brotar de 
Conjuntos de brotos sobre a campa deitar o vegetal surgir à superfície 
Manar, água sangue lágrimas com o desabrochar das flores fúnebres o 
Surgir funesto que veio para irromper o manifestar da vida da moça ainda 
Adolescente o broto, o brotinho, o grelo, o rebento de planta, a brotoeja, a
Irritação da pele acompanhada de vesículas minúsculas e coceira persistente;
O bucal bubônico de bruxuleio, o bruxulear da chama no luzir de modo fraco e 
Incerto tremeluzir antes de apagar e quando apaga, a bruxa não dá mais jeito,
A feiticeira não impede, o vudu, a boneca de trapos, a borboleta noturna, que
Nos meus tempos antes de broxar, mulher muito feia, só com muita cerveja e 
Cachaça, de cara normal, era de perder a potência sexual e de desistir por 
Exaustão e no outro dia, para evitar, dizia que ia pintar com a broxa, o pincel
Curto e com grande volume de cerdas para caiação de grandes superfícies; 
Nos meus tempos, bruaca, só a espécie de saco de couro, para transporte 
De carga em lombo de animais, pois, mulher sem dignidade, velha e 
Desmazelada, só mesmo com muita bebida e pagamento adiantado, nem o
Browniano, o movimento que apresentam pequenas partículas sólidas em 
Suspensão num meio líquido, nos atraia a elas, eram evitadas como se 
Fossem portadoras de brucelose, moléstia infecciosa provocada por vírus 
Transmitido pelo gado bovino e de bruços eram recusados, com o busto 
Voltado para baixo, para o chão, não eram aceitos; eu era mais brumoso,
Agia com muita bruma, usava um brunidor, um polidor imaginário, instrumento 
Para brunir a imaginação e não rejeitava nenhuma mulher, era muito brusco,
Faltava-me dar-me brilho, polir-me e era imprevisto e rude, muito incerto e 
Ficava sempre nublado, igual ao tempo e por isso não podia escolher muito: e 
Era muito brutal, tinha o comportamento próprio do bruto, de uma brutalidade
Extrema, sem qualidade e o tempo passou e só soube brutalizar-me cada vez 
Mais, violentar-me e bestializar-me; tornei-me um brutamontes, um indivíduo 
Grande, sem educação rude e selvagem, perverso; vivo em meu estado natural 
E não sofri beneficiamento, perdi o peso da coisa quando nele está incluído o 
De embalagem e o do vasilhame que o contém; não tenho quaisquer 
Rendimentos com descontos, ou sem descontos; e nem a bruxaria salva-me, a
Ação e o acontecimento atribuído a bruxos, sou o fato que não há como
Encontrar explicação para mim, nem no bruxedo normal numa feitiçaria. 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A ceroma é a membrana que reveste a base do bico de certas aves; BH, 02501202000; Publicado: BH, 080702013.

A ceroma é a membrana que reveste a base do bico de certas aves, 
O mesmo que a cera, é tal e igual o cerol, a massa de cera, pez e 
Sebo, com que se untam as linhas destinadas a coser sola e 
Envolvem o homem em sua viagem à insignificância através do 
Universo; ceróide ceroferário, o homem é aquele que nas 
Procissões, leva a toucheira, ou o círio, mas não leva a luz, não; e
Possui o cero, do grego keros, o chifre e a antena, a marcação
Do que é e do que existe, a cinza que no final se transformará na 
Nossa cera; a peça de pau, sobre a qual se movem as peneiras de 
Farinha, ao peneirá-la; e na cernideira, o homem pergunta até hoje:
E eu? e a resposta não vem, a solução não aparece e segue viagem
À inexistência a fora e grita além: e eu? e aquém da cernelha, da 
Parte do corpo de alguns animais, onde se juntam as espáduas; fio 
Do lombo, do cerneiro, que tem cerne e ele não, ele não aparece,
O espírito não entende a cerneira, a lenhosa dos troncos, ou ramos 
Que a apodrecer, largam a casca e o alburno; é ele a tábua do cerne, 
Ou a tábua sem alburno e não encontra respaldo, pois o homem não 
Sabe, quantos homens existem dentro de um homem e nem com 
Quantos espíritos é formado o seu próprio espírito, bem como a alma,
A consciência, a razão, a ética a cernar, a descobrir o cerne, para cortar 
E extrair e descarnar da ignorância, como a cerita, mineral ortorrômbico, 
Silicato de cério, do seio da terra; elemento químico, metal, símbolo Ce, 
De peso atômico 140, número atômico 58; as propriedades do cério 
São conhecidas, é um dos elementos das chamadas terras-raras; e o
Homem segue a perguntar: e as propriedades do homem? e continua 
Sem as respostas, continua sem as soluções; a não ser a da cerina, 
Um dos princípios que produz a cera no fim do processo natural, de na 
Natureza nada se cria e nada se perde, tudo se transforma e o homem 
Se transforma em cerimoniático, exagerado; e o observador de 
Cerimônia de figuras de museus de ceras no cerimoniar o ser cerífero, 
É o que o cerieiro sabe fazer; com o que produz a cerieira, molda a 
Imagem e assopra nas narinas, está formado o Adão da cericória, 
De uma das formações mineralógicas, satélites do diamante; faz a
Cérica, misturada com azeite, cura o cieiro e não cura o homem; o ceri, 
Do latim cera, clama à Céres, deusa da agricultura, no paganismo e no 
Céu céreo, no firmamento do cerejal, colhe as cerejas, as estrelas de 
Cerefólio, a planta da família das Umbelíferas e o homem ainda procura,
O próprio cerebrospinal e tudo pertencente ao cérebro e à medula 
Espinhal; e não encontra o enigma cerebrino, a liberdade cerebral, o 
Fantástico da verdade, o extravagante cerebri, do latim cerebru; e o que 
Resta é a cerebrastenia, o esgotamento, o cansaço cerebral e o ceráceo 
Cerebelar, semelhante e com aspecto na brandura, não tem o mesmo 
Significado, que o homem trás dentro de si; no cerebelo, no cerealífero,
Que produz os cereais do ego cerdoso, provido de cerdas de aço, áspero 
Como farpas de cercilho, coroa larga e redonda, de clérigo e frades, 
Tonsura de cercilhar no cabelo, do boneco cerâmico, do homem céramo, 
Vazio igual barro cozido, feto esculpido de cerasina, substância extraída 
Das velas; resina da cerejeira e de outras árvores frutíferas; e a antiga 
Bebida feita com cerejas. não rompe as barreiras do ser cerceador, do 
Limitador, do cerceio, que causa o total cerceamento, a gerar o 
Desconhecido, que se não for cérceo, se não for cerce, cortado pela base, 
Pela raiz, apaga o ar de cervilhado da cércea, aparelho nas estações de 
Caminho de ferro para determinar o volume máximo que pode atingir
A carga de um trem, o molde para o corte das pedras, a curva 
De madeira para auxiliar o desenho; a ceráunia, a pedra do raio, a
Ceratocone da deformação da córnea, o homem não vê, e pergunta: e eu?

Posso, então, ter a oportunidade; BH, 02401202000; Publicado: BH, 090702013.

Posso, então, ter a oportunidade de criar 
E agradeço, mesmo que não seja uma
Obra centurial, uma obra-prima, de centúria, ou
Uma obra de arte, de escrito centuplicado, que 
Tem o conhecimento multiplicado por cem;  e que tem
O saber e os feitos repetidos cem vezes; posso, então,
Festejar a criação da imaginação e da inspiração,
Mesmo que não seja um centúnviro, cada um dos
Cem magistrados que constituíam um tribunal
Da antiga Roma; e não tenho a dignidade de um
Centunvirato, o respeito do centunvirado, 
Porém, penso que posso, sem o respaldo centunviral e 
Com obra de tamanho centrossomo, de corpúsculo que
Aparece na célula, próximo ao núcleo, quando este
Começa o processo de divisão; e não abrirei mão de,
Em outra era, em outro tempo, mostrar na 
Centrosfera, no halo de citoplasma que circunda o 
Centríolo por ocasião da mitose, ou da reprodução
Celular, no conteúdo da barisfera, o nife, a esperança
De poder então, dizer: criei uma obra; mas, foi
Sem inspiração, direis vós, foi sem imaginação,
Dirão outros; não existe criatividade, inteligência,
Falta sabedoria, teor de conhecimento, razão: direis e
Os mesmos outros dirão e por assim adiante e penso que,
Não desistirei; faltará perfeição, conjunto, estilo
E terá um composto cerval, de efeito feroz, combatereis,
Aqueles que não lereis, que não caçareis a cerva, a
Fêmea do cervo e pensareis tal a cerusita, mineral,
Ortorrômbico, carbonato de chumbo, minério alvaiade
E com espírito de natureza de cerume e ego
Ceruminoso; e criticareis, ao vedes o cerúmen, a secreção
Cerácea do conduto auditivo externo e direis:
Que é obra pagã, profana, do inferno; que não é
Obra do cerúleo da cor do céu e que não veio do
Cérulo do azul do coerulu do latim; comigo será
Assim, terei que apresentar certificado de autenticidade,
Terei que mostrar algo que certifica, algo próprio para
Certificar e provar: é uma obra; não sei qual foi o 
Certificador, a pessoa que certifica e não sei qual foi 
O certificante, porém, ouvi de longe, a sussurrar: é uma obra;
Trago aqui a certificação, a comprovação, ela não é 
Um Montaigne, vejais a verificação; quem quererá
Certar agora? quem quererá combater? pleitear e 
Discutir e ir a concurso? não tem a carrilha, a borda
Branca dos dentes incisivos das bestas, mas: é uma obra;
Bastai com o cerramento, tirai o cerra-fila, o soldado
Que fica atrás do chefe de uma fila, o último de
Uma fileira, igual ao navio que vai na reta-guarda
Dos outros; bastai, tirai os cerra-filas dos pés dela; é
Um cerradão, extenso trato de terras estéreis, mas
Pode-se se salvar muitas coisas; muita gente não
Vai gostar, vai querer derrubar, mas é um cerquinho,
Espécie de carvalho rijo, semelhante pela robustez;
Trago aqui as ceroulas, os calções masculinos, não os
Uso, mais cuido do meu ceroto, livro-me do unguento
De cera e outros ingredientes e da sujeira da pele,
Por falta de banho: e da sujeira do lado de dentro,
Quem cuida, quando jogamos nosso lixo para debaixo
Do nosso tapete? perfeita ceroplastia, Ícaro, disse o pai;
É uma ceroplástica de última moda e geração, aprendi
A arte de modelar figuras em ceras e fiz essas asas, não
Voes muito alto, perto do Sol; e lá se foi o jovem intrépido
Para o abismo: era uma obra de arte, não um ceromel,
Uma mistura de cera e mel, uns escritos de ceroméis;
E não existe nada de ceromântico criado pelo ceromante,
Adepto da ceromância, a adivinhação por meio da cera
Derretida, que ao esfriar, forma figuras: é real, ouçais,
Podeis acreditar, é como um filho quer o clamor à luz,
Um fruto que colhemos no pé, depois de árdua jornada.

Buque-de-noiva pequeno arbusto da família das Rosáceas; BH, 0230802000; Publicado: BH, 0120702013.

Buque-de-noiva pequeno arbusto da família das Rosáceas, 
Flor-de-noiva e o buque; e que no hispanismo e a 
Embarcação empregada especialmente com auxiliar de 
Galeão de pesca; e do buprestídeo, dos Buprestídeos, 
Família de insetos coleópteros de cores cambiantes; e o
Tal bunodonte, dentes que representam cúspides cônicas 
Baixas; com o bunho, árvore de Portugal, que deixa-me 
Bundo, com o formador de adjetivo, com ideia de 
Persistência, intensidade de vagabundo; hábito de 
Moribundo e final de furibundo, meu coração para de 
Bumbar, de surrar meu peito e de esbordoar dentro de 
Mim, na preguiça que não deixa-me pensar; que não indica
O estrondo de parede e a queda do meu pensamento 
Dentro de minha cabeça; o zás da minha inteligência, 
Bumba da minha sabedoria; o bulo designativo de 
Continente, suporte de instrumento, objeto produzido, 
Vocábulo enriquecido; o turíbulo é o vaso em que se 
Queima incenso nos templos, o incensório que arde 
Eternamente e o infinito incensário do patíbulo fúnebre, o 
Estrado da forca, do cadafalso do poeta burlista, antigo 
Empregado da cúria romana, encarregado do registro das 
Bulas, que não impedia a bulimia, a fome canina do 
Bulhento; o apetite insaciável do briguento; a do arruaceiro,
A polifagia do bagunceiro, a barulhaça do desordeiro e o 
Grande barulho feito pelo bulhão; inferneira que faz bulha, 
Sem respeitar o cidadão, o motim do punhal, o bulhar da 
Adaga no harakiri do buleiro, antigo empregado eclesiástico 
Que distinguia a bula da cruzada que servia o bulcão; a 
Nuvem escura que antecede a borrasca da inquisição, a 
Nuvem de fumo da fogueira de hereges; a mancha escura
Gravada na história da religião; a falta do corpo bulboso, o 
Cérebro que não tem bulbo e nem apresenta forma; o do 
Religioso, que ao fazer bulbar é para o fanático bulático, 
Como o bulário, o oficial que copiava as bulas; e na coleção 
De bulas pontifícias, que garantiam o céu através da
Promessa dizimista do marketing religioso usado pelo 
Comércio das atuais igrejas evangélicas, que querem 
Ocupar o lugar das católicas, que com tantos erros e 
Injustiças se transformaram em buzi, erva tenra que brota 
Com as primeiras chuvas; capinzal tipo bujamé; e o 
Instrumento de sopro usado por indígenas de Angola, 
Filho de mulato e negra, mestiço, moleque de cozinha; 
Certa penugem escura do gado bovino e o buriuçu, árvore 
Da família das Leguminosas Papilionáceas, que não têm a 
Firmeza da buritra, peça dos antigos prelos da prensa, que 
Veio buir as nossas trevas; puir a ignorância interior, polir a 
Brutalidade, ao friccionar para alisar a rudeza, deixar o 
Diamante bruto buído, liso como a luz e que nunca será 
Gasto por fricção e nem puído pelo tempo igual a búgula, 
Planta européia da família das Labiadas, também chamada 
Erva-férrea, erva-de são lourenço e língua-de-boi; jamais 
Quererei perder meu bugrismo natural, minha ascendência 
Índia; minha avó foi pega por um bugreiro, um caçador de 
Bugres; faço parte da bugraria nacional, sou da bugrada, 
Vim de região habitada por bugres e não abro mão da 
Malta de índios, bem como da buglosa, da língua-de-vaca, 
Planta da família das Borragíneas: tenho dito a todos.

Sinceramente e pretendo escrever um dia como alguém que morreu; BH, 0220802000; Publicado: BH, 0110702013.

Sinceramente e pretendo escrever um dia como alguém que morreu
E recebeu a extrema-unção, recebeu no burno o delirium tremens, 
Passou pelo terminal no burnu, foi velado de burnus na sala da casa
E enterrado com capote grande de lã, como capuz usado pelos 
Árabes; e depois de certo tempo, volta a si dentro do caixão, na 
Mais completa escuridão e não entende nada do que está a 
Acontecer, não sabe que está abaixo da raiz da burneira, uva que
Tem muito viço; não tem conhecimento real de onde se encontra, 
Como o burmaniáceo das burmaniáceas, plantas monocotiledôneas, 
Transição entre as Amarilidáceas e Orquidáceas, na ordem 
Sistemática e toda sabedoria concentrada num escritor árabe e 
Capaz de definir a real conjuntura sentida por ele no momento fatal 
Dentro daquele caixão, sem o teor burlista; sem o burlesquear, o 
Falar burlescamente, o usar de modos ridículos para escrever, o 
Bufonar da burlaria, a fraude e a burla literárias do burlantim, o 
Artista de circo de cavalinhos, saltimbanco funâmbulo burlador,
Escarnecedor da cultura, enganador da razão; vítima de burla da 
Falta de ética, escarnecido por falta de tino, ludibriado por falsos 
Profetas, burlado por medíocres escritores, que trazem a burjaca 
Vazia, o vácuo no saco de couro usado pelos caldeireiros, depois 
De uma longa jornada de trabalho; sinceramente, pretendo escrever 
Um dia tão doce quanto uma boa buritizada, feita de buritis, da 
Espécie de palmeira do mesmo buritizeiro, que o muriti, o muritim, 
Ou muruti que me inspira uma burilada, que faz-me criar como num 
Golpe, ou num traço de buril, da cultura do topônimo paulista e
Buri palmeira do burgrave, antigo dignatário, senhor de cidade na 
Alemanha, burgo na povoação de certa importância, vila de 
Burgalhau, aldeia de burgudina, arrebalde da cidade nácar
De burgan, caminho de cascalhos, pisado por pés descalços, 
Burgalhão na estrada, tipo banco de conchas, areia seca de fundo de
Mar, ou dos rios, dos referentes e naturais de burgos, burgalês de 
Espanha; a bureva fora d'água, o peixe de rio da família dos 
Traquicoristídeos, também chamado pacu-branco; o judeu 
Exterminado no campo de concentração, o judeu sobrevivente e
O que não passou pela bureta, tubo graduado que se usa para as 
Dosagens dos reagentes químicos e dos sofrimentos da perseguição 
De ficar no campo, no inverno, só com a burelina, tecido de lã, mais 
Fino que o burel e os corpos que não possuem o escudo em que as 
Burelas são da mesma largura que o espaço que separa a faixa 
Burelada estreita e repetida, que não entrava nem o mingau de 
Milho verde, o curau do buré, onde só se ouvia o burburinhar
Da fome, o rumorejar da morte, a buracada onde os corpos semi 
Vivos eram enterrados; a bucarama de cinzas de restos de cadáveres, 
Na porção de buracos com restos de vida, buraqueira de almas
Em chamas; a pele era o burato, o antigo estojo, o tecido grosseiro 
Que tinha que resistir a tudo; o barracão lembrava a burarema, árvore 
Cuja madeira serve para construção; o sangue era borbon, tipo de 
Variedade de dafeeiro, manga de burbom, era o sangue que não 
Ia para o além, para a buraquara, a pesca feita aos acaris, anujás e
Chaves; as almas não valiam um buranhém, árvore da família das 
Sapotáceas e igualado ao holocausto, só o que foi vivido pelos negros
Brasileiros trazidos da África, quiça o sofrido pelos nossos negros não 
Tenha sido pior do que os judeus e os refugiados nos campos de extermínio.