sexta-feira, 29 de julho de 2011

Afonso Romano de Sant'Anna, Entrevista; BH, 290702011.

Telefonam-me do jornal:
- Fale de amor-
Diz o repórter,
Como se falasse
Do assunto mais banal.
- Do amor? -
Me rio
Informal.
Mas ele insiste:
- Fale-me de amor-
Sem saber, displicente,
Que essa palavra
É vendaval.
- Falar de amor? -
Pondero:
O que está querendo, afinal?
Quer me expor
No circo da paixão
Como treinado animal?
- Fala...- insiste o outro
- Qualquer coisa.
Como se o amor fosse
“Qualquer coisa”
Prá se embrulhar no jornal.
- Fale bem, fale mal,
Uma coisa rapidinha
- Ele insiste, como se ignorasse
Que as feridas de amor
Não se lavam com água e sal.
Ele perguntando
Eu resistindo,
Porque em matéria de amor
E de entrevista
Qualquer palavra mal dita
É fatal.

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