segunda-feira, 10 de julho de 2017

Escrever para defuntos famintos e mortos sedentos; BH, 0270602017.

Escrever para defuntos famintos e mortos sedentos
De sangue, pão e vinho, obras
Fênix, dignas de regaste das cinzas; falava
Em línguas imortais de palavras de carne, 
De letras de ossos e nervos; e demarcava
Mandamentos que, depois, revogava com os seus
Desmandamentos nas peles das pedreiras, nas
Costas das encostas, os pergaminhos de rochedos,
Linhas de falésias, dunas seculares recheadas
De gritos pré-históricos; e guardava lembranças
Que, recolhia para a sua coleção de pedras lascadas,
Pedras polidas e pedras roladas; levava montanha 
Acima, uma montanha em cada ombro
E depositava aos pés do universo em adoração;
Adocicava com os olhos tudo que abençoava,
Regava desertos com lágrimas e não deixava 
O oceano sem uma gota d'água e quando 
Via-se ameaçado, animava o esqueleto
E a caveira mais radiante e sorridente
Que, destacava-se no meio da ossada e 
Era a sua; e desgostava de gostar de viver,
A maldade não deixava aproximar o 
Espírito e alma fazia sanduíche com
A ruindade para sentir se a humanidade
Tornava-se humana com a humanidade
Inteira de raça humana; e era ludibriado
Por duendes, anões, alienígenas e outros seres
Provindos de obituários mórbidos e obtusos
Analfabetos que, não faziam questão de 
Aprender a leitura da escritura imortalizada
Nas estrias dos meandros sensoriais; e 
Relutava a entregar-se, voava para longe,
Voltava, revirava o fundo dos olhos e expunha
O vulcão em erupção a vomitar lava do 
Coração e caia em tentação; jurava, não
Havia remédio, alimentava os defuntos,
Saciava os mortos outra vez, até o último dia da morte.

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