sexta-feira, 7 de julho de 2017

Gostaria de escrever a verdade e propagar a verdade e falar a verdade; BH, 0130202007; Publicado: BH, 050802014.

Gostaria de escrever a verdade e propagar a verdade e falar a verdade
Para todas as pessoas, porém, como não a conheço, tenho que fingir e 
Finjo e minto do início ao fim; a falsidade mora em mim e não sou 
Digno de crédito e nem de confiança; gostaria muito de saber o que
Escrever e dar algum prazer a quem lê, é um desejo que carrego
Dentro do peito, bem escondido, talvez por não conhecer ainda, a 
Técnica do bom escritor; e também por não ter o leito da mensagem,
O seio daquilo que gostaria de entregar para o leitor digerir, como um 
Fazedor de gols faz numa partida de futebol; e ainda não encontrei 
O caminho, não sei que rumo tomar e não conheço as direções da 
Minha rosa-dos-ventos; e não tenho o cérebro privilegiado como a 
Maioria das pessoas, na determinação, ânimo e disposição e são 
Coisas das quais, infelizmente, nasci desprovido delas; fica comigo só
A vontade que nunca passa de vontade, não vai à ação e a verdade
Não entra em campo no meu coração e é até ironia, querer passar
Alguma coisa às pessoas, sem ter a experiência, sem ter para mim
Mesmo uma resposta também; pois, sou um eterno procurador, estou
Também em busca dos meus remédios, quero acreditar e por fim à 
Vida de erros; quero ser feliz, realizado e apto para viver, quero 
Facilitar as coisas para o pardalzinho ladrão, que entra pela janela da
Minha cozinha, para roubar migalhinhas de comida; deixei a janela
Aberta e coloquei miolinhos de pão no vidro da veneziana e aí, ele
Não apareceu mais; penso que muita facilidade faz desconfiar até os
Passarinhos, a vida tem que ser mesmo é difícil e dura, quanto mais
Árdua a luta, mais valorizada, fica; pelo amor de Deus, preciso evoluir,
Existir e ter consciência, a cada dia que passa, fico mais estúpido,
Insano, impotente e senil; a cada dia que passa, aumenta cada vez
Mais minha estupidez; e isso vai me afastar das pessoas, fico relapso e
Ridículo, bêbado, embriagado, vivo como um drogado sem consciência e
Não encontro satisfação; não fico satisfeito com o sol, com o céu azul,
Ou com a lua e as estrelas e quero cada vez mais me encher do vazio,
Do fútil e do inútil e não me envergonho; deveria ser e dar exemplo e
No entanto, sou e dou decepção e todos logo ficam com o saco cheio de
Mim; não me dão atenção e fazem de tudo para que perceba que estou
A ser inconveniente, desastrado e indesejado: só eu não percebo; quero
Começar tudo de novo, recomeçar vida nova e não sei por onde, ainda
Não sei a quem pedir ajuda, luz, ou discernimento; inda não sei a quem
Recorrer e não quero imaginar que seja o último na face da terra,
Eternamente, não quero crer, que para sempre, o nunca será o meu
Caminho; o caminho que não leva e o caminho que não traz, e para
Um perdido, para um maldito, qualquer caminho satisfaz, e
Geralmente, são caminhos sem volta; são caminhos das veredas da
Morte, dos pecados e dos depósitos de trevas, alguém tirará de mim
Algum motivo de útil? alguém será resgatado com alguma ação de
Qualidade partida de mim? nem meu corpo desejam mais, nem meus
Beijos procuram mais, quanto mais meus braços, meus abraços, meus
Carinhos e os apertos da minhas mãos; não existe mais nada em mim
Que possa existir em alguém, não existe mais nada em mim que possa
Gerar alguma felicidade a alguém; teimo, mas, a minha jornada não é
De esperança, tento, mas, a minha mensagem não é de fé, falo, mas,
A minha palavra não é de confiança; não é um marco, um porto, uma
Segurança, a voz é trêmula, falsa, soa sem timbre, morta e a ninguém
Importa o que tem a dizer, já que nada diz; então, é tempo perdido,
São palavras jogadas fora, são ideias não aproveitadas e pensamentos
Indefinidos, indigestos e gostaria de algo que pudesse ser digerido por
Mim, ou por outrem, e não sinto o eco; parece tudo vácuo, não sinto
Vibração, falta a reverberação e até a respiração parece ficar suspensa
E o pulso parar de bater; o coração já não sente e também não sinto o
Coração, está dormente, letargia pura e aplicada, o sangue não sai mais
Em disparada e os espermas pararam no meio do caminho e não querem
Mais fecundar os óvulos, é o fim da fecundação; a ciência não dará mais
Jeito, desde o início começou com defeito e assim irá até o fim; meu Deus,
Quanto tempo já perdi e quanto tempo ainda terei que perder? meu Deus,
E quando as pessoas quiserem se amparar em mim? meu Deus, e quando
Buscarem em mim refúgio? o que terei para oferecer? o Senhor ainda é Deus,
E eu que nada sou, o que farei quando os cães ladrarem? o que farei, quando
As sombras passarem por mim e o meu corpo ficar estendido na poeira?

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