terça-feira, 11 de julho de 2017

Nada desperta em mim; BH, 0190502017.

Nada desperta em mim
E nasci adormecido atormentado em pesadelos
E não sonho; sonâmbulo a perambular
Madrugadas de vadiagem em vadiagem
E de geração em geração, não acordo
Como queria um poeta, com medo de morrer;
E se fosse por vontade própria e semelhante,
Já teria despertado; muitos gritam à beira do 
Meu sepulcro: desperta para uma vida melhor,
Desperta, póstumo, quem dorme muito pouco
Aprende e a lenha verde mal se acende e 
Continuava a dormir desesperadamente; e 
Sempre sem válvula de escape, sem saída
De emergência, sem cano de descarga e com
Canos e silenciosos entupidos e o despertador
Não tocava para mim nas horas certas;
E os apitos da fábricas, dos alarmes e das 
Marias fumaças estavam todos atrasados; e 
Quem foi velado em velório, teve marcada a 
Missa de sétimo dia e enterrado em cova 
Rasa, como se estivesse morrido de verdade;
Alguém que, percebeu a tempo e disse: esse
Cadáver está vivo, esse defunto não está 
Morto, só está a dormir profundamente, 
Como se estivesse anestesiado para uma 
Eutanásia, ou em coma alcoólico por excesso
De aguardente; e se sonhasse, meus sonho 
Seria despertar para as coisas das gentes,
Energizado, adrenalinado e testosteronado 
Igual a um adolescente apaixonado; e não
Um velho dorminhoco inhacado que, quem 
Fica perto é incomodado pelos maus humores 
Expelidos, ou pelos roncos cavernosos que, mais 
Parecem uivos de feras bestas envelhecidas,
Ao serem devoradas vivas por antigas presas.

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