segunda-feira, 17 de julho de 2017

Por minha mãe; BH, 02201102013; Publicado: BH, 959692914.

Por minha mãe,
Não tenho a quem apelar,
Coisas que nunca vi,
Hoje vejo sem parar;
Nunca a tinha visto chorar
E agora chora a toda hora;
Chora de medo e de insegurança,
Tem medo de cair,
Pede para segurar-lhe as mãos
E cisma que querem levá-la;
E que vêm buscá-la
E pede para não deixar levá-la
De jeito nenhum;
E chora pelos filhos,
Fala os nomes deles,
Pergunta por cada um;
Mas quem gosta de vistar velhos?
Dou graças a Deus,
Porque atravessava a cidade toda,
Para ter com a minha avó;
E era uma felicidade,
Tanto dela,
Do meu avô,
Quanto minha;
E a verdade,
É que mesmo com o Estatuto dos Idosos,
Garantias de direitos,
É que ninguém quer saber dos velhos;
Nem filhos e nem netos e nada,
Damos mal-mal uma satisfaçãozinha
E logo-logo arribamos; 
Fugimos da presença dos velhos,
Sem um único remorso;
Gostaria de ter a quem apelar,
Por minha mãe,
Diminuir a tristeza dela,
Amainar o sofrimento,
Levar um pouco de alegria,
Para ter pelo menos uma compensação,
No futuro e quando chegar meu dia.

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