segunda-feira, 3 de julho de 2017

Preciso tomar fôlego e ressurgir das cinzas e dar a volta por cima; BH, 0190702000; Publicado:BH, 0200802014.

Preciso tomar fôlego e ressurgir das cinzas e dar a volta por cima, 
Apesar de ser um derrotado e já viver acostumado com todas as 
Minhas derrotas, ainda me sinto arrochado, apertado e com um 
Arrocho muito grande dentro de mim; meu coração está 
Comprimido e o meu sangue difícil de digerir, foi uma cacetada 
Fatal e letal, no alto da moleira e jamais recebi paulada assim, 
Decepou-me a orelha; uma arrochada pancada que esmigalhou-me
O crânio e esfarelou-me o cérebro; e amassou todo o pensamento 
Arrocado, criado numa forma de roca e chega de arrobustar em
Mim a insânia, tornar-me cada vez mais robusto e insensato, e vou 
Pedir um xarope, uma conserva de vários frutos, um arrobe de vinho 
Morto apurado ao fogo, para ver se consigo crescer dentro de mim; 
E deixar de baixeza e de arrobar a vergonha, avaliar e pesar por 
Arrobas, a simples vista, para tirar da curvatura das minhas costas, 
O peso da consciência e do remorso; pois sei que foi demais o meu 
Arrombamento, foi demais a pesagem de todo o meu comportamento
E superar o arrobamento, pesei de vergonha, mais do que uma rês
Que, tem muito peso de muita carne e foi cruel a arrobação de lama 
E lodo que, carrego na alma; e um barro que, não me deixa, é pois o 
Sufixo e o prefixo possivelmente de origem basca e que exprime a 
Ideia aumentativa de quando estou bebarro, afogado igual ao 
Chicharro, um carapau grande, de certa espécie de peixe; e apresenta 
Variantes na barra de bocarra do glutão bicho-papão e a porra da 
Sapatorra, cujo sentido é às vezes mais depreciativo; e pode-se 
Combinar-se com outros sufixos e prefixos, como sem santarrão é o 
Santo e mais o barro e mais o ocão e depois de tudo isso ainda 
Não aprendi a ser de arrizo, a viver sem raiz e sem radícula aparente;
E arrizar nos motivos, meter nos rizes, atar e prender com cordas;
E a pior hora do dia é quando começo a arrispidar-me com todos 
E tornar-me ríspido com os meus semelhantes e intratável com as 
Pessoas que me cercam e gostam de mim; e acabo por cair em 
Todas as armadilhas, caio em todos os logros, sofro todas as 
Ciladas, vítima das falcatruas; preso no laço, na esparrela de uma 
Arriosca enganadora que, traz na contramão, um arriós, tipo bala 
De arcabuz, para arrebentar contra o meu peito; na boca uma fava 
Amargosa, de casca grossa e cinzenta, o fel ao arrió, no arrinconar 
Do arriol que, me mete em rincão, me faz encurralar no medo,
Acantoar na covardia, arrincoar na ilusão de um dia, não repetir os 
Mesmos erros e encontrar o motivo arrimador que, poderá modificar
A minha vida; encontrar aquela que me arrima e põe em mim a minha 
Poesia, o arrimadiço do meu poema e que, não venha a arrimar os 
Parasitas que povoam Brasília; e que ao navegar nas trevas dos mares, 
Não colidir nos recifes, não naufragar nos arrifes e aquele ser rixoso, 
Aquele rifador e brigão, ciumento e orgulhoso, invejoso que só sabe 
Arrifar igual o cavalo e que não serve nem para a arrieirice, porém, 
Só arridar, prender as arridas nos botões, segurar com arridas, cordel 
Que, prende os toldos às beiras dos escaleres dos navios fantasmas
E negreiros que cada um de nós trazemos dentro de nós, por nossa 
História, por nosso passado e não adianta arrizar e falar que não 
Conhece, não adianta eriçar e fingir; e erriçar e fugir, enrijar e agredir, 
Arrijar e discriminar, usar de racismo, o negro está aí e cada um de 
Nós trazemos dentro um negro na nossa herança: não adianta negar;
Por mais que queiramos manter arriçado o nosso passado, como 
Amarrado com cordas, arrizado o nosso conhecimento, eriçada a falta 
De sabedoria, é de deixar qualquer um arrepiado com a nossa ignorância; 
A nossa chegada ao futuro terá que ser importante, como toda a nossa 
Arribação e toda a nossa importação, daquilo que já foi nosso e nos foi
Roubado na colonização; é o nosso arribe histórico, o nosso retorno às 
Nossas raízes e a nossa volta por cima e é deixar de morar em arribana, 
Em choupana de recolher gado; deixar de morar em palheiro, em curral 
Como animais, para viver com dignidade e em casas à altura da 
Condição de vida de um povo evoluído e independente; e todas as
Nossas riquezas, que ainda hoje, como um arribadiço, tais aves de 
Arribação, passam aos bolsos da especulação financeira internacional, 
Numa ciranda arribada de orgia e perversão, ânsia, lutaremos para
Impedir e inverter a situação; brigar pela preservação, para fazer valer 
Nosso sangue, fazer valorizar a nossa pobre história, que até
                               Hoje, quando é contada, envergonha aos nossos filhos.                                 

Nenhum comentário:

Postar um comentário