segunda-feira, 17 de julho de 2017

Quem quererá ouvir-me dizer que sou harmônico; BH, 02201102000; Publicado: BH, 030602014.

Quem quererá ouvir-me dizer que sou harmônico?
Que importância há nisso?
Ser o que condiz com todas as letras e palavras,
A um companheiro de estudo ou de colégio,
A um discípulo;
Que importância há nisso?
Alguém quererá saber sobre o condimento humano?
Sobre aquilo que serve para temperar a vida,
Igual ao tempero dos alimentos?
E o que serve para condimentar?
Quem quererá saber do condimentício?
Insisto e que importância há nisso?
Que importância há na condimentação das coisas?
Não sou condigno,
Não sou merecido
E nem sou proporcional ao mérito,
Não posso tornar nada condicional;
Impor algo como condição regular e estabelecer,
Seja lá o que for;
Não quero saber de nada que seja condicional,
Que tenha estado,
Que tenha qualidade,
Que dependa duma condicionalidade;
E de um tempo verbal,
De um hoje,
De um denominado futuro;
De um pretérito relativo à ação,
Que para se realizar,
Encerra uma determinada obrigação;
Não tenho uma cláusula,
Não tenho distinção,
E nem situação;
Não tenho maneira de ser,
Caráter e gênio;
Não tenho circunstância
E nem classe social;
E o que importa o condicente?
Estou mais para a brisa fresca,
Para o sereno,
Para o orvalho,
Para o vento,
Do que para o condicionador;
Do que para o que condiciona,
O aparelho de ar condicionado,
Pois não quero transigir;
Não quero ceder voluntariamente,
Não quero anuir à vontade alheia,
E condescender com a burguesia
E com a elite;
Não tenho condescendência e
Nem sou condescendente dom ninguém;
 E que importância tem isso tudo?
Se meu ser é assim não condensável,
O problema é meu;
Se sou assim de engrossar 
E o problema é meu,
Se torno-me denso e resistente;
O problema é meu
E para resumir,
Para concentrar-me mais,
O que importa ao mundo se a minha alma
Só sabe condensar meu espírito?
Sem um foco de luz,
Sem um sistema de lentes convergentes?
Não sou um instrumento de carga elétrica;
Um aparelho para fazer um corpo passar
Do estado gasoso ao líquido;
E que importância tem isso?
Não sou condensador e morro,
Não tenho passagem e nem corpo
E nem condensação e morro;
Não tenho propriedade e nem condensabilidade e morro
E sou condenável e mereço condenação,
Pois sou reprovável;
Meus feitos foram condenatórios e aguardo,
No corredor da morte,
A hora da minha execução;
E que importância tem para o mundo o ato
De condenar-me?
De sujeitar-me e obrigar-me e censurar-me?
Podem culpar-me,
Dar todas as provas contra mim;
Podem reprovar-me,
Declarar-me culpado e
Proferir a sentença e condenar-me à morte:
Que falta faço ao meu condenador?
Que importância tenho diante daquele que condena-me?
Não censuram o meu carrasco
E na condenatória,
Descubram-lhe o rosto;
Deixem-me agraciar,
Condecorar e até distinguir com condecoração,
Com a insígnia honorífica,
Com o título de conde
E de nobreza superior;
E de visconde e de marquês,
Àquele que acionará a alavanca da vil
Guilhotina que decapitará meu cadáver,
Pois no meu pretenso poder de fazer o bem e o mal,
A minha faculdade é a do mal;
Não tenho o dom do bem,
O condão de ser bom e a dignidade;
E desde a antiga jurisdição e território de condado,
Mereço ouvir o martelar do juízo final;
Mereço ouvir o bater do sino a anunciar o meu enterro,
No som que vem abalar o meu espírito;
Que vem fazer-me tremer de susto,
Ao concutir em mim a ordem da execução;
Fui concussionário
E exerci a prática da concussão
E pratiquei o crime próprio de funcionário público
E que consiste na extorsão de dinheiro,
De valor e na imposição e cobrança ilegal
E indevida de contribuição;
E ao servir-me do meu cargo,
É um choque violento para a sociedade,
É um abalo para que todo aquele que crê que


Pode cometer um delito e não ser julgado.

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