sexta-feira, 14 de julho de 2017

Quero dizer com todo respeito aos loucos e olhais os doidos; BH, 0170102007; Publicado: BH, 0180702014.

Quero dizer com todo respeito aos loucos e olhais os doidos, 
Como se estivésseis a olhar para vós mesmos; quero repetir, todo respeito 
Aos doidos, olheis para os malucos, como se estivésseis a olhar,
Para vós mesmos; a loucura já tantas vezes elogiada, louvada em
Ensaios, poesias e poemas, loucura, tantas vezes perseguida,  
Tantas vezes não compreendida, abandonada e desprezada; quero
Dizer de novo, então, amemos nossos loucos: Sid Barret, Arthur 
Bispo do Rosário, Salvador Dali, Raul Seixas, tantos outros anônimos
Jogados nos hospícios e esquecidos nos vis sanatórios; louvemos
Toda divina beleza que pode haver num ser possuído de loucura;
Trago dentro de mim, todos os loucos, malucos e doidos deste 
Mundo e deste universo e de outros se por acaso existirem; a busca
É para entender a alma, o espírito, o ser dum louco, a busca é o
Saber, o que acontece na mente, no cérebro, no pensamento dum
Maluco nosso; salvemos a loucura, abramos alas para a loucura,
Salvemos o ritual do doido e acompanhemos o culto do maluco, o
Maluco é belo, o doido é belo, o louco é belo; a loucura está na
Beleza e a beleza está na loucura, uma não vive sem a outra: Lou
Reed, Tom Waits, Torquato Neto; em pro da loucura, anormais do
Mundo: uni-vos, deficientes mentais, geniais, sábios psicopatas
Psicóticos, paranoicos, inteligentes especiais destruais o sistema,
Aniquilais o sistema; tiremos o sistema das mãos dos chamados
Normais, Chico Picadinho, Jack Estripador, padres e pastores,
Pois, o homem para ser padre, tem que ser muito maluco e para
Ser pastor, também tem que ser muito doido; bispos e cardeais,
Demais apóstolos, diáconos e presbíteros, afundeis a sociedade,
Implanteis o caos e deixeis de prometer céus, já que todos vivemos
No inferno; o único e maior pecado é rir do louco, não riais e nem
Deixeis rir do maluco, o doido merece só lágrimas; qual o futuro da
Humanidade? qual o futuro do ser humano? o que espera a raça
Humana? o seio da loucura que se encontra armazenada dentro de
Cada um de nós: deis a palavra e a atenção aos meus irmãos todos
Loucos por natureza; não existe uma mente socrática, um comportamento
Aristotélico, uma atitude heracliteana, não existe um pensamento
Inflexível e que não se acabe no destino duma folha seca; não existe
Um normal estoico, não existe um iluminado feliz, qual o poeta que,
Realmente, pode se intitular feliz? felizes são só os malucos, os loucos
E os doidos; felizes são os acéfalos, os amentais e incapazes,
Desprovidos de razão; o animal mamífero primata semelhante ao 
Homem, este jamais erguerá a voz para dizer que é feliz, o lago de 
Fogo, o enxofre está aqui pertinho, dentro do coração de cada um
De nós, onde não mais luzirá a luz da candeia; tenho dito: deixeis
Em paz os mansos mentecaptos, todos já perdemos a razão, somos
Tolos e néscios e não temos nem um grão do que o tempo tem; não
Somos nem um segundo em vista do que o tempo é e de nós não
Sobrará nada e o que sobrar, a boca do tempo engolirá com a sua
Voracidade; e por mais que pensarmos a nossa grandeza, o
Estômago do tempo nos digerirá como algo pequeno e ínfimo; e aí,
Nem a loucura pairará mais sobre o abismo e aquele que na tentativa
De fugir do tempo se jogar da beirada do precipício, cairá mais devagar
Do que vê o tempo passar; cada um tem o fardo da sua própria 
Loucura, uns dinheiro, outros, mulheres, outros, ainda, imóveis,
Os demais, automóveis e assim, vai um, vem outro, cada um com
Seu fardo, cada vez maior e mais pesado; seja bebida, cocaína,
Maconha, remédios, religiões, ópio, fumo não importa, é a doença
Sem a cura; constroem castelos no ar, constroem máquinas,
Antídotos da imortalidade, armas que matam e devastam milhões
De vezes o planeta e seu satélite; e querem ser donos de tudo 
E de todos, mas, só não querem assumir é a própria loucura; não
Querem assumir que são doidos, malucos e loucus; canteis 
Canções aos loucos, entoeis cânticos e louvores aos doidos,
Façais músicas em homenagens aos malucos; não, nunca 
Exaspereis com eles, vamos dar as mãos, andar com eles de 
Braços dados; gritas os nomes deles nos espaços e nos céus,
Chamá-los nos vácuos de suas mentes, com vozes


Retumbantes de trovões eternos.

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