segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Só dou azar no jogo de azar e no amor e só fui trapaceado; BH, 050802000; Publicado: BH, 020102014.

Só dou azar no jogo de azar e no amor e só fui trapaceado
Num jogo da trapaça e só fui a mentira na mentira;
A batota que me acompanha, sempre será a desonestidade
Da minha vida, o orifício por onde escoa a honestidade,
Como o líquido escoa em pipa, ou barril; e a rolha que 
Tapa o batoque em mim, não deixa a verdade
Entrar, e ser soberana na minha alma, e na boca
Não palavras sadias; trago o botoque, a rodela 
De madeira que certos índios colocam em furos
Nos lábios; e a minha beleza é menor do que os
Indivíduos de baixa estatura, e não ando nas
Bocas de ninguém; não sou um cosmético, nem líquido,
E nem em batão, que serve para colorir os lábios, e 
E quando ando nas bocas, não é porque sou um
Batom; é por causa da má fama, quando anda na 
Boca de alguém, estão a falar mal de mim, pois
Ninguém sabe me abençoar solenemente, como se
Fosse um avião, ou uma embarcação qualquer;
Todo mundo só sabe me amaldiçoar, adulterar meus
Líquidos a misturar-lhes água; pôr nome ruim, e 
Alcunha ao administrar o meu batismo, e quem
Quis me batizar, não participou do batizado, da festa
Do batismo, do lugar onde fica a pia batismal na
Batista, ou na anabatista, na antiga igreja protestante;
E o que hoje virou um tipo de cambraia, virou um
Belchior, uma loja de negociantes de objetos velhos, e 
Usados; só soube desconfiar da beldade, da mulher
Bonita, da beleza da mulher que por acaso me dá
Bola: ou é maluca, ou é travesti; pois, mulher
Nenhuma, nunca foi assim, de sair por aí, pela
Noite, a dar bola para mim; só o agente de 
Polícia, o esbirro de soldado, o tira, e o beleguim,
Que andam no meu pé, a pedir documentação,
Para qualquer averiguação, como se fosse eu um 
Beócio; ou mais estúpido ainda, ou ainda mais
Ignorante, que naturalmente aparento ser, fora da
Beócia, região da Grécia antiga, que talvez possa
Vir a me impedir de bestificar; bestializar as pessoas,
E causar maior pasmo com o meu comportamento;
A minha besteira sempre foi bestificante, a bestice que
Bestifica-me, se me falta a qualidade do que é
Belo, sei que não sou coisa, e nem pessoa bonita;
Só sei tornar-me cada vez mais besta, a minha
Bestialidade é infinita, e eterna a bestial, a brutal,
Feia, e repugnante, feroz como um animal cruel, de
Imensas proporções de asneiras, e gigantesco caminhar
Sem rumo certo; o destino não me deixa parar de
Bestar, o destino não me barra na condição de
Bestalhão, de um estúpido solitário, um grosseiro, e sem
Educação, ignorante, e analfabeto, um triste bobalhão;
E ajo feito besta-fera, híbrido de jumento dom égua, ou
De cavalo com jumenta; presunçoso iual a um presunto,
Valentão de mente quadrada, metido inteiramente à pessoa
Morta por antiga arma de guerra, e que morre facilmente;
Fora da variedade de inseto que tem as asas protegidas
Por uma carapaça, sou um besouro sem proteção da
Natureza; uma bertalha, planta hortense comestível, envenenada,
Uma verruga na ponta do nariz, uma verruga no lábio,
Sou um berro na hora da morte; o grito do porco quando
A ponta da faca o atinge o coração, grito mais alto do que
De pessoa, grito de certos animais que não mereciam
Morrer; mete pena o berreiro, dá dó os berros sucessivos,
A gritaria que não sai mais dos ouvidos, a manha
Ruidosa diante do carrasco; o choro antes do berrar,
É de tirar lágrimas, o vociferar ao ver refletir o
Lampejo no olhar daquele que vai nos matar.

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